Nem todo livro nasce de uma história inventada. Para as escritoras Carine Tavares e Carol Franco, a literatura surgiu também como uma forma de transformar experiências pessoais, memórias e momentos difíceis em histórias capazes de alcançar outras pessoas. As duas são as convidadas do episódio desta semana do Betim Cast, apresentado por Márcio Antunes.
Jornalista, escritora e coordenadora de Rádio e TV do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Carine Tavares é autora de “Eu sei quem ele é”, livro em que transforma em literatura a experiência de acompanhar o pai, o médico Clóvis Tavares, após o diagnóstico de demência. A obra aborda temas como memória, afeto, cuidado e a importância de enxergar a pessoa para além da doença.
Já Carol Franco é administradora, escritora e betinense. Depois de transformar lembranças e experiências em textos autobiográficos, ela levou para a ficção um tema delicado: os relacionamentos abusivos. Em “O Narcisista – Nunca Foi Amor”, a autora mistura realidade e ficção para provocar reflexões sobre comportamentos que podem passar despercebidos dentro de uma relação.
Quando a história pessoal vira literatura
Durante a conversa, as escritoras relembram o momento em que a escrita deixou de ser apenas uma experiência íntima e passou a ganhar leitores. O episódio aborda vulnerabilidade, exposição, memória, cuidado humanizado e os desafios de transformar vivências pessoais em literatura.
Carine também fala sobre a relação com Betim e com o pai, enquanto Carol relembra os diários que escreve desde a adolescência e o caminho percorrido até transformar suas experiências em livros.
A conversa mostra ainda como a literatura pode produzir identificação e acolhimento. As duas escritoras compartilham mensagens recebidas de leitores que se reconheceram nas histórias e encontraram nas páginas das obras coragem para compreender ou até mesmo reconhecer situações vividas.
Mais do que falar sobre livros, o episódio discute como escrever pode ser uma maneira de elaborar experiências, preservar memórias e transformar dores individuais em histórias que encontram sentido na vida de outras pessoas.