Em Betim, rodovia tem entroncamentos com várias vias de tráfego intenso
Foto: LotusDSR/Divulgação
Em Betim, rodovia tem entroncamentos com várias vias de tráfego intenso
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Entre os 41 municípios mineiros apontados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) como os principais de toda a extensão da BR–381 em Minas Gerais, Betim lidera com folga as estatísticas de acidentes de trânsito, inclusive na comparação com trechos não concedidos à iniciativa privada. Até 30 de setembro, o município registrava 519 ocorrências em 2024 – uma média de 57 por mês (quase duas por dia). O número é mais do que o dobro (53%) de Contagem, que aparece em segundo lugar no ranking, com 242 registros, de acordo com os Dados Abertos da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Considerando apenas os 20 municípios com mais ocorrências, a porção betinense da rodovia teve cerca de 260 vezes mais acidentes do que Nepomuceno, no Sul do Estado, que registrou somente dois casos em nove meses. O balanço parcial de Betim neste ano já representa 83% de todo o ano passado (623) e 90% do total de 2022 (575).
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Silva Júnior, vários fatores contribuem para os altos índices de acidentes por aqui. O principal deles, segundo o dirigente, é o fato de ser um trecho com um “volume absurdo de veículos”. “É um trecho grande, que entra em uma área metropolitana, com carros pequenos, motos e um volume elevado de caminhões circulando. Além disso, as condições de sinalização e preservação da rodovia estão ruins”, pontua.
Já a Arteris Fernão Dias, concessionária responsável pela via no município, atribui à desatenção causada pelo uso de celular, à falta de manutenção preventiva dos veículos, ao tráfego em velocidade maior do que a permitida e à desatenção ao volante as principais causas de sinistros de trânsito na rodovia federal.
“A Arteris Fernão Dias realiza constantemente a conscientização sobre o uso do cinto de segurança, além de campanhas educativas direcionadas aos motoristas, passageiros e motociclistas, como a operação Serra Segura, Tô de Cinto, Tô Seguro, Acorda Motorista, Viva Ciclista, Viva Pedestre, Viva Motociclista, entre outras. Além disso, a companhia segue com medidas para aprimorar a fiscalização e garantir o cumprimento da lei, atuando em parceria com os órgãos competentes, como a Agência Nacional de Transportes Terrestres e a PRF”, frisou.
A BR–381 se destaca negativamente em outro aspecto, além do de acidentes: o de riscos a crianças e adolescentes. Um levantamento feito pelo Projeto Mapear 2023/2024, realizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pela organização internacional Childhood Brasil, mostra que a rodovia apresenta, atualmente, 685 pontos vulneráveis em Minas Gerais, 495% a mais do que no último balanço, referente a 2020/2021.
Nesse ranking, Betim aparece em terceiro lugar, com 73 pontos identificados, ficando atrás de Igarapé (128) e São Joaquim de Bicas (100). No estudo anterior, o município betinense era o segundo com mais locais de vulnerabilidade (13), sendo superado por Três Corações (14).