ESPECIALISTAS COMENTAM

Cobras têm sido cada vez mais avistadas em Betim; entenda o motivo

Clima quente, período de reprodução e avanço dos centros urbanos são alguns fatores que justificam as aparições

Por Iêva Tatiana


Publicado em 15 de março de 2024 | 14:09
 
 
Esta serpente estava no quintal de uma casa, também no Arquipélago Verde. Apesar do susto, não houve nenhum incidente.

Ao menos sete cobras foram vistas em áreas urbanas do município nas últimas semanas: duas no Arquipélago Verde, uma no Brasileia, uma no Cidade Verde, outra no Vila Verde e duas no Betim Industrial, mais precisamente na pista de caminhada da avenida Juiz Marco Túlio Isaac.

Embora pareçam inusitados e até perigosos, os episódios não têm nada de extraordinário, segundo o biólogo do Centro de Controle de Zoonoses e Endemias (CCZE), Sérgio Chumbinho. “As aparições tendem a acontecer mais nesta época, que é a de reprodução, entre o fim do verão e o início do outono. Outro fator que pode ser apontado é que, em relação ao inverno, a oferta de alimentos é maior agora”, explica Chumbinho. O especialista ressalta ainda que o desmatamento e o avanço da cidade sobre as áreas rurais contribui para o aparecimento desses répteis nos centros urbanos. “Lotes vagos e sujos servem como abrigo nas cidades”, emenda o biólogo.

De acordo com Chumbinho, as espécies mais comumente encontradas nas cidades são a cobra-verde, que não é venenosa, e a peçonhenta jararaca – embora outras também possam ser vistas, sobretudo em bairros próximos a regiões de mata.

“Deparar-se com uma cobra é sempre uma situação de emergência. Portanto, os órgãos competentes, como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar de Meio Ambiente e Guarda Municipal, devem ser acionados. E vale ressaltar que as serpentes são animais silvestres e, conforme previsto na legislação, não podem ser mortas”, frisa o biólogo do CCZE.

O sargento Azevedo, dos bombeiros, chama a atenção para outro ponto. “É importante lembrar a importância desses animais para o equilíbrio ambiental e também os casos de medicamentos que são produzidos da extração de substâncias desses seres, como o soro antiofídico. Então, nenhum animal deve ser capturado como forma de maus-tratos”, pontua.

Serpentes são cruciais para produção de soro

Além de serem fundamentais para o equilíbrio ecológico, as cobras têm grande importância para a saúde humana. É com o próprio veneno das espécies peçonhentas que são produzidos os soros antiofídicos. Em Minas Gerais, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, é referência nesse trabalho. O chefe do Serviço de Animais Peçonhentos da instituição, Rômulo Righi Toledo, explica que as serpentes capturadas com segurança podem ser enviadas à fundação tanto pelos bombeiros e pela polícia ambiental quanto por populares. O serviço de entrega funciona na rua Conde Pereira Carneiro, 80, no bairro Gameleira.

“As não peçonhentas são encaminhadas para o Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama. Já as peçonhentas permanecem na Funed, sendo destinadas ao atendimento em solicitações de outras instituições públicas para a produção de soros e outras finalidades cientificas”, diz Toledo. 

Evite acidentes

  • Não acumule lixo ou entulho em casa
  • Limpe terrenos baldios
  • Vede soleiras de portas e janelas, frestas e buracos nas paredes
  • Coloque telas em ralos
  • Sacuda roupas e sapatos antes de usá-los
  • Não coloque a mão em buracos, nem em pedras ou em troncos
  • Use calçados e luvas grossos nas atividades de jardinagem