
Ao menos sete cobras foram vistas em áreas urbanas do município nas últimas semanas: duas no Arquipélago Verde, uma no Brasileia, uma no Cidade Verde, outra no Vila Verde e duas no Betim Industrial, mais precisamente na pista de caminhada da avenida Juiz Marco Túlio Isaac.
Embora pareçam inusitados e até perigosos, os episódios não têm nada de extraordinário, segundo o biólogo do Centro de Controle de Zoonoses e Endemias (CCZE), Sérgio Chumbinho. “As aparições tendem a acontecer mais nesta época, que é a de reprodução, entre o fim do verão e o início do outono. Outro fator que pode ser apontado é que, em relação ao inverno, a oferta de alimentos é maior agora”, explica Chumbinho. O especialista ressalta ainda que o desmatamento e o avanço da cidade sobre as áreas rurais contribui para o aparecimento desses répteis nos centros urbanos. “Lotes vagos e sujos servem como abrigo nas cidades”, emenda o biólogo.
De acordo com Chumbinho, as espécies mais comumente encontradas nas cidades são a cobra-verde, que não é venenosa, e a peçonhenta jararaca – embora outras também possam ser vistas, sobretudo em bairros próximos a regiões de mata.
“Deparar-se com uma cobra é sempre uma situação de emergência. Portanto, os órgãos competentes, como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar de Meio Ambiente e Guarda Municipal, devem ser acionados. E vale ressaltar que as serpentes são animais silvestres e, conforme previsto na legislação, não podem ser mortas”, frisa o biólogo do CCZE.
O sargento Azevedo, dos bombeiros, chama a atenção para outro ponto. “É importante lembrar a importância desses animais para o equilíbrio ambiental e também os casos de medicamentos que são produzidos da extração de substâncias desses seres, como o soro antiofídico. Então, nenhum animal deve ser capturado como forma de maus-tratos”, pontua.
Além de serem fundamentais para o equilíbrio ecológico, as cobras têm grande importância para a saúde humana. É com o próprio veneno das espécies peçonhentas que são produzidos os soros antiofídicos. Em Minas Gerais, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, é referência nesse trabalho. O chefe do Serviço de Animais Peçonhentos da instituição, Rômulo Righi Toledo, explica que as serpentes capturadas com segurança podem ser enviadas à fundação tanto pelos bombeiros e pela polícia ambiental quanto por populares. O serviço de entrega funciona na rua Conde Pereira Carneiro, 80, no bairro Gameleira.
“As não peçonhentas são encaminhadas para o Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama. Já as peçonhentas permanecem na Funed, sendo destinadas ao atendimento em solicitações de outras instituições públicas para a produção de soros e outras finalidades cientificas”, diz Toledo.