LINHA DE FRENTE

Moradores de Betim viajam até o Rio Grande do Sul e atuam como voluntários; conheça essas histórias

Atuação é no resgate e no atendimento de animais; Estado sofre a pior enchente da história


Publicado em 17 de maio de 2024 | 08:00
 
 
Amigos estão percorrendo ruas na cidade de Canoas e resgatando animais

O Rio Grande do Sul enfrenta uma das piores enchentes da história, com 460 municípios atingidos e 151 mortos, de acordo com dados do último boletim divulgado pela Defesa Civil estadual nessa quinta-feira (16). Em meio ao caos, além de vidas humanas, animais também têm sido afetados.

Pensando neles, moradores de Betim pegaram estrada para atuar em duas frentes: no resgate e no atendimento. O grupo formado pelo empresário João Vitor Mendonça e outros nove integrantes, sendo cinco deles veterinários, tem percorrido ruas alagadas no município de Canoas e resgatado animais que ficaram ilhados nas casas. 

“A princípio, demos suporte no hospital de campanha de Canoas. Depois, fomos resgatar os animais no bairro de Matias Velho”, conta.

Inicialmente eles faziam a triagem dos animais que chegavam, secavam os que estavam molhados, identificavam doenças, urgências e encaminhavam para atendimento. Os que estavam bem de saúde, eram levados para galpões de alojamento provisório.

Quando o grupo começou a fazer os resgates nas áreas inundadas, novos desafios surgiram. "Tivemos muita dificuldade para acessar as casas. As embarcações ficavam batendo em veículos que estavam embaixo. Ontem (terça) o nível da água aumentou, o que facilitou a navegação. Porém, começamos a agarrar nos fios dos postes e em grades pontiagudas. Fora o risco iminente de assalto", conta.

Eles levaram medicamentos, rações, insumos, entre outros donativos arrecadados em Betim. O grupo retorna à cidade nesta sexta-feira (17).

O veterinário Rafael Paschoalin, que também faz parte da equipe, destaca um outro problema: a ajuda que o povo gaúcho irá precisar para se reerguer. 

"Estamos vendo muitos animais mortos e sabemos que muitas pessoas morreram pois não tiveram como sair de suas casas. Conversamos com uma moradora que nos relatou que a água chegou a casa dela em dez minutos. As pessoas perderam tudo. Hoje tem muita gente ajudando, mas daqui a um ou dois meses, essas pessoas vão ficar desamparadas. O Estado precisa de um conforto não só agora, mas irá precisar ao longo do tempo também", salienta.

Atendimento

A veterinária de Betim Thaynara Mayngler ficou por seis dias atuando como voluntária em abrigos de animais resgatados na cidade de São Leopoldo. Ela foi com o também veterinário Bruno Bertassoli e com os estudantes de medicina veterinária Poliana D’arcenção e Pedro Henrique Linhares, da capital. 

"Acompanhávamos as notícias sobre a tragédia no Rio Grande do Sul e, embora estivéssemos longe, a vontade de ajudar foi maior que tudo. Inicialmente montamos um ponto de coleta para doações na clínica, e para minha surpresa, em menos de quatro dias todos os cômodos estavam tomados pelos donativos. Meu amigo veterinário Bruno me ligou perguntando sobre o ponto de coleta e no, meio da nossa conversa ele me pergunta: “Thay, você anima ir pro Rio Grande do Sul ajudar?”. Sem pensar, logo respondi que sim!", lembra.

Thaynara (à direita), ao lado do veterinários Bruno Bertassoli e dos estudantes de medicina veterinária Pedro Henrique Linhares e Poliana D’arcenção; eles têm feito atendimento médico no município de São Leopoldo. Foto: Arquivo pessoal

 

Por lá, muito trabalho. “Estávamos fazendo atendimento clínico e cirurgia, triagem de animais, recebendo alguns de urgência e emergência, e tentando estabilizá-los. Infelizmente alguns a gente não conseguiu fazer o que a queria por falta mesmo de recurso, mas cerca de 95% dos animais que atendemos, estavam ficando bem", diz Bertassoli.

Após quase uma semana, o grupo acabou voltando para Minas na última terça (14), um dia antes do previsto. "Havia uma nova previsão de chuva, as águas estavam subindo rapidamente e ficaríamos ilhados. Sei que fomos uma gota no oceano, mas faríamos tudo de novo”, relata Thaynara.