Plano de Contingência para o Enfrentamento do Período Chuvoso 2026/2027 foi apresentado em audiência pública na Câmara Municipal, nesta quarta (14)
Foto: Nelson Batista
Plano de Contingência para o Enfrentamento do Período Chuvoso 2026/2027 foi apresentado em audiência pública na Câmara Municipal, nesta quarta (14)
Foto: Nelson Batista
A Prefeitura de Betim apresentou, nesta quarta-feira (14/10), em audiência na Câmara, o Plano de Contingência de Enfrentamento ao Período Chuvoso 2026/2027, com um alerta: o número de áreas de risco na cidade passou de 180, em 2024, para 208. Atualmente, 9.562 moradores vivem nesses locais. Para enfrentar o problema, a principal estratégia do município é descentralizar as ações de prevenção, monitoramento e resposta a emergências, com atuação específica em cada uma das dez regionais.
Segundo a superintendente de Defesa Civil de Betim, Suellen Reis, o aumento das áreas de risco está relacionado, principalmente, a intervenções humanas inadequadas como por exemplo corte de taludes irregulares . “Ao fazer o mapeamento anual das áreas de risco, descobrimos alguma intervenção que uma pessoa fez, um corte irregular de um talude, por exemplo, que faz com que aquele ponto se torne crítico e de atenção para a gente enquanto Defesa Civil”, explicou.
Já a regionalização das ações, de acordo com Suellen, permite agilizar o atendimento e tornar mais eficiente o acompanhamento dos pontos vulneráveis. “Com um plano de resposta ao incidente de forma regionalizada, conseguimos fazer a gestão dessa situação de emergência de forma objetiva e rápida”, afirmou.
Entre as áreas que exigem mais atenção, estão Citrolândia e Colônia Santa Isabel, onde 1.270 pessoas estão vulneráveis a inundações. Já em relação aos riscos geológicos e à possibilidade de deslizamentos de terra, o município monitora, sobretudo, pontos em bairros como Alterosas, que contabiliza 966 pessoas vivendo em áreas de risco, além de Teresópolis e Icaivera.
Para reduzir os impactos das chuvas, a prefeitura prevê cerca de R$ 49,4 milhões em obras de mitigação e manutenção preventiva. Entre as intervenções estão o desassoreamento de rios e córregos, como o Riacho das Areias, o Rio Betim e os córregos Bandeirinhas, Estiva e da avenida Yeté. Essas ações recebem investimento de R$ 13 milhões.
Outros R$ 12 milhões estão sendo destinados a obras de contenção em sete encostas. Já cerca de R$ 16 milhões estão sendo aplicados na intensificação da limpeza de bocas de lobo, em serviços de microdrenagem e na manutenção das calhas pluviais.
As medidas também incluem o Projeto Paraopeba Vivo, iniciativa que recebe aporte de cerca de R$ 9,4 milhões e que prevê a realocação de famílias e o plantio de mudas, além da entrega, em dezembro de 2026, de áreas verdes urbanas planejadas para captar, filtrar, reter e infiltrar a água da chuva no solo no Citrolândia (já pronto), Nossa Senhora de Fátima e Vila das Flores (ambos em execução).
Para além das obras estruturais, a superintendente de Defesa Civil explicou que o município elaborou um plano específico voltado para mitigar os impactos do fenômeno El Niño, que se estende até meados de 2027. "Desde junho, temos nos preparado para enfrentar os impactos do El Niño, realizando ações como o desassoreamento dos rios, aumento da limpeza das bocas de lobo, a instalação de bebedouros nas praças públicas para aumentar a hidratação da população e dos pets", explicou Suellen.
As projeções da Defesa Civil Estadual apontam volumes de chuva acima da média histórica para o período chuvoso de 2026/2027, principalmente em dezembro. Diante desse cenário, o comandante do Corpo de Bombeiros em Betim, tenente Jamilsom Reis, orientou a população a buscar informações em fontes oficiais e a evitar a disseminação de boatos durante as tempestades.
“A população deve tomar cuidado com a procedência da informação, tentar buscar se orientar pelas informações dos canais confiáveis, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, evitar aquelas conversas, as fake news com relação às situações. Sempre buscar informação nos canais confiáveis”, alertou.
Em caso de emergência, a orientação é acionar o telefone 193, do Corpo de Bombeiros, ou o 199, da Defesa Civil. A população também pode se cadastrar para receber alertas meteorológicos oficiais por SMS, enviando o CEP para o número 40199.
Suellen Reis reforçou ainda a importância da prevenção dentro de casa e nas ruas, com medidas como a limpeza de calhas e o descarte correto do lixo, para evitar que resíduos obstruam o sistema de drenagem.
A superintendente também pediu atenção a sinais que podem indicar riscos estruturais, como rachaduras no solo, paredes e estalos em janelas ou na edificação. “É muito importante que a população entenda que qualquer sinal, trinca no solo, trinca na parede, estalos nas janelas, estalos na edificação, acione a Defesa Civil imediatamente através do 199”, orientou