ALERTA

Betim pode ter 400 mm de chuva em dezembro, quase o dobro da média histórica para o período 

Volume projetado é de 400 mm, contra média de 208 mm; autoridades reforçam orientações para evitar riscos durante temporais 

Por Lisley Alvarenga


Publicado em 15 de outubro de 2026 | 17:39
 
 
Número de áreas de risco na cidade passou de 180 em 2024 para 208

Projeções da Defesa Civil de Betim apontam volumes de chuva em Betim de 400 mm somente em dezembro, que é acima da média histórica do mês, estimada pelo ClimaTempo em 208 mm. O anúncio foi feito em audiência pública realizada nesta semana, na Câmara Municipal, quando o órgão apresentou o Plano de Contingência de Enfrentamento ao Período Chuvoso 2026/2027, com um alerta: o número de áreas de risco na cidade passou de 180 em 2024 para 208. Atualmente, 9.562 moradores vivem nesses locais. Para enfrentar o problema, a principal estratégia do município é descentralizar as ações de prevenção, monitoramento e resposta a emergências, com atuação específica em cada uma das dez regionais. 

Segundo a superintendente de Defesa Civil de Betim, Suellen Reis, o aumento das áreas de risco está relacionado, principalmente, a intervenções humanas inadequadas, como, por exemplo, corte de taludes irregulares. “Ao fazermos o mapeamento anual das áreas de risco, descobrimos alguma intervenção que uma pessoa fez, um corte irregular de um talude, por exemplo, que faz com que aquele ponto se torne crítico e de atenção para a Defesa Civil”, explicou.

A regionalização das ações, de acordo com Suellen, permite agilizar o atendimento e tornar mais eficiente o acompanhamento dos pontos vulneráveis. “Com um plano de resposta regionalizado, conseguimos fazer a gestão dessa situação de emergência de forma objetiva e rápida”, afirma ela.

Entre as áreas que exigem mais atenção estão Citrolândia e Colônia Santa Isabel, onde 1.270 pessoas estão vulneráveis a inundações. Já em relação aos riscos geológicos e à possibilidade de deslizamentos de terra, o município monitora, sobretudo, pontos em bairros como Alterosas, que contabiliza 966 pessoas vivendo em áreas de risco, além de Teresópolis e Icaivera.

Para reduzir os impactos das chuvas, a prefeitura prevê realizar obras de mitigação e manutenção preventiva. Entre as intervenções estão o desassoreamento de rios e córregos, como o Riacho das Areias, o Rio Betim e os córregos Bandeirinhas, Estiva e da avenida Yeté, além da intensificação da limpeza de bocas de lobo, de serviços de microdrenagem, da manutenção das calhas pluviais e da realização de obras de contenção em sete encostas – entre 2017 e 2024, durante a gestão do ex-prefeito Vittorio Medioli, foram 19 encostas construídas no município. No período, o então gestor municipal também instituiu o Grupo Gestor de Risco e Desastres e criou o Centro Integrado de Operações (COP), órgão que reúne serviços de entidades como as guardas Municipal e Patrimonial, a Defesa Civil e a Polícia Militar, recebe todos os chamados de urgência da população e monitora das áreas de risco, nível dos rios e volume de chuvas nas regionais.

As medidas da atual administração incluem ainda o Projeto Paraopeba Vivo, iniciativa que une infraestrutura e educação ambiental na prevenção de desastres ecológicos, e que prevê a realocação de famílias e o plantio de mudas, além da entrega, em dezembro de 2026, de áreas verdes urbanas planejadas para captar, filtrar, reter e infiltrar a água da chuva no solo nos bairros Citrolândia (já pronto), Nossa Senhora de Fátima e Vila das Flores (ambos em execução).

El Niño

O município elaborou ainda um plano específico voltado para mitigar os impactos do fenômeno El Niño, que se estende até meados de 2027. As ações começaram em junho e incluem desassoreamento dos rios, aumento da limpeza das bocas de lobo e instalação de bebedouros nas praças públicas para a população e para os pets.