
Um homem de 33 anos foi condenado a 21 anos de prisão por tentar matar a ex-companheira de 28 anos, com 16 facadas, em Betim. A sentença foi anunciada nesta quinta-feira (15), após julgamento pelo Tribunal do Júri. O crime aconteceu em 17 de maio, no bairro São João, na frente dos dois filhos da vítima, de 8 e 10 anos.
Segundo a vítima, o ataque ocorreu depois que o ex-companheiro, invadiu a casa dela e perguntou se os dois poderiam reatar o relacionamento. Ao ouvir que não, ele foi até a cozinha e começou a golpeá-la com uma faca. A mulher sofreu perfurações em órgãos como pulmão e intestino, precisou passar por uma cirurgia de emergência e ficou internada por dez dias.
“Ele entrou na minha casa, perguntou se tinha volta, eu falei que não. Ele foi na cozinha e começou a me desferir diversas facadas”, relatou.
A vítima contou que os dois haviam mantido um relacionamento por aproximadamente um ano e estavam separados havia três meses. Ela também afirmou que, três dias antes do crime, quando o réu foi buscar o restante dos pertences dele, ele teria dito que voltaria para matá-la.
Apesar da ameaça, a mulher disse que não procurou a polícia porque considerava o ex-companheiro uma pessoa tranquila e não imaginava que ele pudesse cometer a agressão.
A violência deixou marcas na rotina da família. Segundo a vitima, os filhos começaram a gritar ao presenciar as facadas, e o agressor fugiu em seguida. Desde então, ela relata que tanto ela quanto as crianças enfrentam medo e dificuldades para dormir.
“Qualquer barulho que a gente escuta, pensa que ele está solto. Hoje, para a gente tomar banho, um toma e olha a porta, depois o outro vai. Ficou uma situação bem complicada para a gente”, afirmou.
Ao ouvir a sentença de 21 anos de prisão, a mulher disse ter sentido alívio. “A minha sensação foi de alívio, de que a Justiça foi feita, que a Justiça não falhou”, declarou.
A advogada de defesa, Judite de Paula Cardoso, afirmou que a estratégia apresentada no julgamento foi sustentar a tese de desistência voluntária e pedir a desclassificação do crime para lesão corporal. Segundo ela, a defesa argumentou que o réu não tinha intenção de matar a ex-companheira, embora não negasse ter desferido os golpes.
“Os jurados entenderam que não houve a desistência voluntária e, por isso, ele foi sentenciado conforme a pronúncia e a denúncia do Ministério Público”, explicou a advogada.
De acordo com Judite, o homem ficou emocionado ao receber a sentença, pois esperava uma pena menor. A defesa informou que entrou com recurso de apelação para tentar reduzir a condenação.
A advogada também afirmou que o réu permanecerá preso e explicou que o tempo de cumprimento da pena poderá ser influenciado pelas regras legais aplicáveis e por eventuais remissões, conforme os requisitos previstos em lei.
Ao falar sobre a experiência, a vítima deixou um recado para mulheres que vivem relacionamentos abusivos ou enfrentam ameaças. Ela ressaltou que a violência não se limita às agressões físicas e pediu que os sinais sejam levados a sério.
“Denunciem. A agressão não é só física, ela é verbal, é um puxão de cabelo, é um palavrão, é uma palavra mais alta. Denuncie”, aconselhou.
Em situações de emergência, mulheres também podem acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. Para orientação e denúncias de violência contra a mulher, o Ligue 180 funciona gratuitamente em todo o país.