TESTE DE PACIÊNCIA

Caminhões quebrados na Via Expressa trazem dor de cabeça para motoristas

Recorrência de problemas mecânicos trava trecho no acesso à BR–381

Por Iêva Tatiana

Publicado em 23 de outubro de 2026 | 08:56

 
 
Trecho de aclive concentra ocorrências de veículos pesados com defeito na Via Expressa, no Jardim das Alterosas Trecho de aclive concentra ocorrências de veículos pesados com defeito na Via Expressa, no Jardim das Alterosas Foto: Brandon Santos

Os motoristas que costumam trafegar pela Via Expressa/avenida Campo de Ourique, no bairro Jardim das Alterosas, próximo à alça de acesso à BR–381, no sentido a São Paulo, certamente já se depararam – mais de uma vez – com um caminhão ou uma carreta estragados na via gerando uma fila de veículos e lentidão no trecho. Recorrente, a situação gera dor de cabeça e reclamação entre aqueles que precisam passar pelo local.

O motorista Charles Caldeira cobra uma solução. “Isso aqui é péssimo. Todo dia o trânsito fica agarrado, não tem jeito. Deveriam dar uma melhorada na saída para a BR–381. O trânsito aqui é muito pesado”, afirma. O vendedor Mário Alves circula entre a região e Contagem com frequência e reforça: “Todo dia, nos horários de pico, tem caminhão quebrado aqui, gerando um gargalo. Também tem muito caminhão na faixa da esquerda, inclusive. Aí, trava o trânsito. Todo dia é a mesma coisa”, pondera Caldeira.

Motorista profissional e natural do Rio de Janeiro, Fábio de Melo ressalta que, de fato, muitos veículos pesados não conseguem fazer a subida do trecho, sobretudo os articulados. “Às vezes, o problema é causado pela falta de perícia do motorista, que põe na marcha pesada na subida, e o caminhão quebra. E tem o trânsito pesado também, que obriga ele a parar”, avalia o profissional do transporte de cargas. 

Prejuízos

Além de testar a paciência dos condutores, o trânsito travado na Via Expressa – que, por definição, deveria ser de trânsito rápido – impacta os negócios locais. Gerente de um posto de combustíveis na região, Luiz Araújo conta que, quando o trânsito para, o movimento do estabelecimento cai cerca de 50%, já que muitos motoristas buscam rotas alternativas. “Isso afeta o nosso movimento e diminui, claro, o lucro da empresa”, pontua Araújo.

O frentista Jhonatan Furtado opina: “Na parte da manhã e da tarde é desse jeito. Raramente não tem acidente ou carreta estragada aqui”, diz o frentista.

Posicionamento

Responsável pelo sistema viário municipal, a prefeitura, por meio da Diretoria de Transportes e Trânsito da Ecos, informou, em nota, que a Via Expressa recebe serviços de manutenção da sinalização e de capina a fim de melhorar a visibilidade e contribuir para a segurança dos motoristas.

Na contramão do que alegam os usuários da via, a administração municipal afirma que a estimativa é de que ocorra, em média, uma intercorrência envolvendo veículos pesados no trecho do Jardim das Alterosas a cada 15 dias. “A recorrência está relacionada, entre outros fatores, ao intenso fluxo de caminhões e carretas que utilizam a via como rota de deslocamento da região da Ceasa e da BR–040 em direção a São Paulo. Atualmente, não há alternativa de trajeto para veículos desse porte na malha viária estadual ou federal que passa pelo município”, conclui o texto.

Frota envelhecida e veículos sem manutenção contribuem

O diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), Alysson Coimbra, ressalta que esse tipo de ocorrência não é uma exclusividade desse trecho da Via Expressa, já que o país, de maneira geral, possui uma frota de veículos de carga relativamente envelhecida e carente de manutenção preventiva. “Soma-se a isso o tráfego recorrente com excesso de peso, que acelera o desgaste de pneus, freios, suspensão, sistema de transmissão e outros componentes mecânicos, aumentando a possibilidade de panes e imobilizações durante o trajeto”, avalia Coimbra. 

Ainda de acordo com o diretor, tem-se como agravante o fato de uma pane mecânica potencializar o risco de acidentes. “E existe ainda uma dificuldade do ponto de vista da responsabilização, porque o Código de Trânsito não trata de forma simples a ocorrência de uma pane mecânica isolada como uma infração específica. Por isso, além da fiscalização das condições gerais dos veículos e do excesso de peso, é fundamental trabalhar cada vez mais com prevenção, manutenção periódica e sinalização imediata quando houver uma parada inesperada na via”, diz o especialista.