
Os motoristas que costumam trafegar pela Via Expressa/avenida Campo de Ourique, no bairro Jardim das Alterosas, próximo à alça de acesso à BR–381, no sentido a São Paulo, certamente já se depararam – mais de uma vez – com um caminhão ou uma carreta estragados na via gerando uma fila de veículos e lentidão no trecho. Recorrente, a situação gera dor de cabeça e reclamação entre aqueles que precisam passar pelo local.
O motorista Charles Caldeira cobra uma solução. “Isso aqui é péssimo. Todo dia o trânsito fica agarrado, não tem jeito. Deveriam dar uma melhorada na saída para a BR–381. O trânsito aqui é muito pesado”, afirma. O vendedor Mário Alves circula entre a região e Contagem com frequência e reforça: “Todo dia, nos horários de pico, tem caminhão quebrado aqui, gerando um gargalo. Também tem muito caminhão na faixa da esquerda, inclusive. Aí, trava o trânsito. Todo dia é a mesma coisa”, pondera Caldeira.
Motorista profissional e natural do Rio de Janeiro, Fábio de Melo ressalta que, de fato, muitos veículos pesados não conseguem fazer a subida do trecho, sobretudo os articulados. “Às vezes, o problema é causado pela falta de perícia do motorista, que põe na marcha pesada na subida, e o caminhão quebra. E tem o trânsito pesado também, que obriga ele a parar”, avalia o profissional do transporte de cargas.
Além de testar a paciência dos condutores, o trânsito travado na Via Expressa – que, por definição, deveria ser de trânsito rápido – impacta os negócios locais. Gerente de um posto de combustíveis na região, Luiz Araújo conta que, quando o trânsito para, o movimento do estabelecimento cai cerca de 50%, já que muitos motoristas buscam rotas alternativas. “Isso afeta o nosso movimento e diminui, claro, o lucro da empresa”, pontua Araújo.
O frentista Jhonatan Furtado opina: “Na parte da manhã e da tarde é desse jeito. Raramente não tem acidente ou carreta estragada aqui”, diz o frentista.
Responsável pelo sistema viário municipal, a prefeitura, por meio da Diretoria de Transportes e Trânsito da Ecos, informou, em nota, que a Via Expressa recebe serviços de manutenção da sinalização e de capina a fim de melhorar a visibilidade e contribuir para a segurança dos motoristas.
Na contramão do que alegam os usuários da via, a administração municipal afirma que a estimativa é de que ocorra, em média, uma intercorrência envolvendo veículos pesados no trecho do Jardim das Alterosas a cada 15 dias. “A recorrência está relacionada, entre outros fatores, ao intenso fluxo de caminhões e carretas que utilizam a via como rota de deslocamento da região da Ceasa e da BR–040 em direção a São Paulo. Atualmente, não há alternativa de trajeto para veículos desse porte na malha viária estadual ou federal que passa pelo município”, conclui o texto.
O diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), Alysson Coimbra, ressalta que esse tipo de ocorrência não é uma exclusividade desse trecho da Via Expressa, já que o país, de maneira geral, possui uma frota de veículos de carga relativamente envelhecida e carente de manutenção preventiva. “Soma-se a isso o tráfego recorrente com excesso de peso, que acelera o desgaste de pneus, freios, suspensão, sistema de transmissão e outros componentes mecânicos, aumentando a possibilidade de panes e imobilizações durante o trajeto”, avalia Coimbra.
Ainda de acordo com o diretor, tem-se como agravante o fato de uma pane mecânica potencializar o risco de acidentes. “E existe ainda uma dificuldade do ponto de vista da responsabilização, porque o Código de Trânsito não trata de forma simples a ocorrência de uma pane mecânica isolada como uma infração específica. Por isso, além da fiscalização das condições gerais dos veículos e do excesso de peso, é fundamental trabalhar cada vez mais com prevenção, manutenção periódica e sinalização imediata quando houver uma parada inesperada na via”, diz o especialista.