AMEAÇA

Moradores da rua Gérbera, no Senhora de Fátima, reclamam de infestação de caramujos em lote vago

Caramujo-gigante-africano (Achatina fulica) pode atuar como hospedeiro de parasitas capazes de transmitir doenças aos seres humanos

Por Brunna da Matta Amorim

Publicado em 29 de outubro de 2026 | 12:20

 
 
Surgimento dos caramujos-gigantes-africanos é recorrente em períodos de chuva há pelo menos três anos Surgimento dos caramujos-gigantes-africanos é recorrente em períodos de chuva há pelo menos três anos Foto: Brandon Santos

Uma infestação de caramujos-gigantes-africanos (Achatina fulica) preocupa os moradores da rua Gérbera, no bairro Senhora de Fátima, em Betim.

A reportagem do O TEMPO Betim esteve no local e conversou com residentes da região, que atribuem a presença dos animais a um lote vago e abandonado. Eles contam que a situação é recorrente nos períodos de chuva há pelo menos três anos.

Wilson Inácio Corrêa, de 70 anos, afirma que os caramujos têm atrapalhado a vida de quem mora na rua, principalmente com três netos em casa. “Os caramujos sobem pela parede e, quando chove, a situação piora. O problema é o lote vago, que o pessoal não tem interesse nenhum em olhar. O proprietário faleceu e os filhos não têm interesse em cuidar. Pedimos para alguém socorrer a gente, porque não está tendo mais condições de sobreviver numa situação dessas”, relata o aposentado.

O repositor José Eduardo Gonçalves de Abreu, de 75 anos, também se preocupa com a presença dos animais perto de sua casa. “A gente fica preocupado porque isso, com certeza, traz doença. Qualquer inseto que entre na sua casa é perigoso. E é desse lote vazio que estão vindo esses caramujos. Eu olhava o lote, mas a moça pegou a chave para mostrar ao corretor e ainda não me devolveu. Por isso está desse jeito, eu não posso entrar lá para limpar. Essa já é a terceira vez ou mais que isso acontece”, afirma.

A reportagem entrou em contato com a prefeitura, que informou que a Vigilância em Saúde não recebeu denúncias nem registros de ocorrências relacionadas à presença do caramujo-gigante-africano no local. O município acrescentou que, nesta quinta-feira (29/10), uma equipe da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) irá ao endereço para realizar uma vistoria e adotar as providências necessárias, caso sejam identificados riscos à saúde pública.

Segundo a administração municipal, o caramujo-gigante-africano é um molusco originário do nordeste da África, considerado uma praga agrícola devido à rápida proliferação e à ausência de predadores naturais que controlem sua população. Além de causar danos ambientais, o animal pode atuar como hospedeiro de parasitas capazes de transmitir doenças aos seres humanos.

Como se prevenir

A Secretaria Municipal de Saúde orienta a população a adotar as seguintes medidas preventivas:
- Evitar o contato direto com os caramujos, usando luvas ou sacos plásticos para proteger as mãos durante o manuseio;
- Higienizar adequadamente frutas, verduras e hortaliças;
- Não comer, beber ou fumar durante o contato com os animais;
- Manter quintais e terrenos limpos, livres de entulho, folhas acumuladas e materiais que favoreçam a umidade e a proliferação dos moluscos.

A prefeitura reforça a importância de comunicar a presença dos animais, que pode ser registrada na Unidade de Vigilância de Zoonoses pelo telefone (31) 3594-5424 ou pelo WhatsApp (31) 99928-2277.