
Há 23 dias, a família de Ramon Jhonata, de 26 anos, vive a angústia de não saber o paradeiro do jovem. Morador do bairro Bom Retiro, ele foi visto pela última vez no dia 7 deste mês, quando teria comentado com um amigo que ia conhecer uma mulher em Belo Horizonte. Desde então, ele não voltou para casa nem fez mais contato com familiares, e as ligações para o celular dele não são atendidas, e as mensagens não têm resposta.
O caso de Ramon engrossa as estatísticas de pessoas desaparecidas em Betim. De 1° de janeiro até essa quinta (29/10), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) havia registrado 302 ocorrências no município, cerca de 30 por mês, ou aproximadamente uma por dia. Setembro foi o período com o maior número de registros (41), seguido de maio (37) e de outubro (37, ainda sem a consolidação). O balanço parcial deste ano já corresponde a 85,8% de todo o ano passado (352) e é 6,7% superior ao mesmo intervalo de 2025 (283).
Para quem vive a dor de não saber a localização de um ente ou de um amigo, os números são ainda mais assustadores. “Não tivemos nenhuma informação, nenhum sinal. Várias pessoas dizem que viram ele, mas nada concreto. Direto vamos à delegacia, mas nos pedem para aguardar porque estão investigando”, afirma Eduardo Domingos, pai de Ramon. Apesar das incertezas vividas pela família desde que o jovem sumiu, Domingos acredita em um reencontro com o filho. “Temos esperança de que ele esteja com um problema de cabeça. Notícia ruim voa. Se tivesse acontecido alguma coisa, a gente já teria ficado sabendo”, avalia o pai.
Claudineia Rezende, mãe de Ramon e com quem ele mora, não se conforma. “Por que ele sumiria sem motivo? E a família, como fica?”, pondera.
Se, por um lado, o número de desaparecidos no município é elevado, o de pessoas localizadas segue a mesma proporção. De acordo com a PCMG, entre 1° de janeiro e 29 de outubro, foram contabilizados 203 casos, o que corresponde a 67,2% do total de desaparecidos no período. Março foi o mês com mais retornos (28). Na sequência, aparecem junho (26) e outubro (25, ainda em aberto). Em todo o ano passado, 237 pessoas fizeram contato com parentes e amigos ou voltaram para casa, o equivalente a 67,3% das ocorrências de desaparecimentos do ano.
A reportagem do O TEMPO Betim perguntou à Polícia Civil quais são as principais razões para os casos de pessoas desaparecidas, de maneira geral, mas não teve uma resposta da corporação.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) ressalta que não é necessário aguardar 24 horas para comunicar um desaparecimento. Pelo contrário, a orientação é que o registro seja feito o mais rapidamente possível, tão logo seja identificada uma quebra na rotina da pessoa. “A comunicação imediata contribui para ampliar as chances de localização”, frisa.
De acordo com a PCMG, nos casos de desaparecimento, a instituição atua em conjunto com as demais forças de segurança, realizando diligências e levantamentos. “Assim que a ocorrência é registrada, a PCMG inicia a coleta de informações sobre o caso e solicita à família autorização e uma fotografia da pessoa desaparecida para a confecção de cartaz destinado à ampla divulgação”, detalha a polícia.
O registro de desaparecimento pode ser feito em qualquer delegacia de Polícia Civil, em uma base da Polícia Militar ou pela Delegacia Virtual.