Rede de supermercados da cidade tem mais de 500 vagas em aberto e precisa preencher ao menos 200 delas para operar plenamente
Foto: Brandon Santos
Rede de supermercados da cidade tem mais de 500 vagas em aberto e precisa preencher ao menos 200 delas para operar plenamente
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A conta sempre foi simples: a chegada das festas de fim de ano incrementa as compras e, consequentemente, a necessidade de reforço no quadro de funcionários, sobretudo no comércio. Desta vez, porém, um fator novo entrou na equação: o fim da escala 6x1, aprovado pelo Congresso em 16 de outubro último. Na avaliação do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Betim (CDL Betim), José Barboza, a mudança na legislação e a falta de mão de obra qualificada devem frear as contratações neste ano. “Não basta encontrar pessoas disponíveis para trabalhar. Será necessário organizar as escalas de trabalho e encontrar profissionais preparados para atender à demanda”, afirma.
Segundo Barboza, alguns empresários e entidades do setor já vêm se mobilizando para reivindicar o adiamento da implantação da nova escala de trabalho para janeiro de 2027. “O Natal é um dos momentos mais importantes para o comércio e exige meses de planejamento dos empresários. É neste período que muitos lojistas vão salvar as vendas do ano todo. Somos favoráveis a avanços que valorizem os trabalhadores, mas entendemos que mudanças dessa dimensão precisam considerar também a realidade de quem empreende e gera emprego”, acrescenta.
O contador e empresário contábil Cássio Reis concorda que, neste momento, a conta não fecha. Ele pontua que o início da escala 5x2, previsto para 16 de dezembro próximo, vai aumentar a necessidade de contratações temporárias para cobrir as lacunas nas jornadas, justamente no período natalino, que representa de 15% a 30% do faturamento anual das lojas. “No entanto, a realidade do mercado impõe duas grandes barreiras: a primeira é financeira. Na prática, muitas empresas, especialmente as micro e pequenas, não têm fôlego de caixa para absorver o aumento imediato da folha de pagamento. A segunda é estrutural. O varejo já enfrenta uma crônica falta de mão de obra e dificuldades severas de preenchimento de vagas. Unir o aumento do custo à escassez de candidatos cria um cenário de muito risco, em que o empresário pode preferir adiar contratações e encolher a operação em vez de arriscar a saúde financeira do negócio”, avalia.
Um levantamento da CDL Betim e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas mostra que 57% dos empresários pretendem manter o quadro de funcionários atual, enquanto 26% planejam ampliar as equipes. Outros 3% consideram reduzir o número de trabalhadores neste fim de ano.
Entre as funções com mais oferta de vagas aparecem vendedor (23%), ajudante (22%), entregador (10%), caixa (9%) e recepcionista (9%).
Sócio de uma rede de supermercados, Joel Fernovedes afirma que o empreendimento tem 523 oportunidades em aberto e precisa preencher ao menos 200 delas em pouco mais de uma semana para colocar caixas inoperantes em funcionamento. “Temos que treinar todo mundo, não podemos deixar para muito em cima da hora”, ressalta o empresário.
A vice-presidente do Sindicato do Comércio de Betim e Médio Paraopeba (SindBetim), Márcia Werneck, destaca que a entidade orienta as empresas a planejar desde já as vendas de fim de ano. “Nossa expectativa é de um bom volume de contratações temporárias, refletindo o aquecimento da economia local. É uma oportunidade importante que movimenta o comércio e, na maioria dos casos, resulta em efetivações no início do ano seguinte”, conclui.