Herik Santos Cândido, de 35 anos, pai do pequeno Ravi Miguel Oliveira Cândido, de 2 anos e 3 meses, prestou depoimento na delegacia nesta quarta (11)
Foto: Lucas Gabriel
Herik Santos Cândido, de 35 anos, pai do pequeno Ravi Miguel Oliveira Cândido, de 2 anos e 3 meses, prestou depoimento na delegacia nesta quarta (11)
Foto: Lucas Gabriel
O empresário Herik Santos Cândido, de 35 anos, pai do pequeno Ravi Miguel Oliveira Cândido, de 2 anos e 3 meses, que deu entrada já sem vida em um hospital particular de Betim, no último domingo (8/2), afirmou que o filho faleceu em decorrência de traumatismo craniano provocado por uma forte pancada na cabeça, seguido de vômito com aspiração para o pulmão.
Segundo o pai, o laudo do legista apresentado a ele nesta quarta-feira (11/2), também teria identificado lesões grau 2 no fígado da criança. “A causa da morte foi a pancada no crânio, que deu traumatismo craniano. Com essa pancada, ele vomitou, e esse vômito foi para o pulmão, e foi onde veio a morte dele”, relatou.
A mãe do menino, de 20 anos, presa no domingo por suspeita de maus-tratos, foi ouvida nesta quarta-feira, na Delegacia de Homicídios de Betim. Após os procedimentos, ela foi encaminhada ao Presídio de Vespasiano. Em nota, a Civil informou que ratificou a prisão em flagrante delito dela, a princípio, pelo crime de homicídio. Herik também prestou depoimento na unidade policial, nesta quarta. Já o namorado dela, de 17 anos, que teria acompanhado a mulher até o hospital no dia da morte da criança, foi conduzido e está internado em unidade do sistema socioeducativo, por decisão judicial.
Em entrevista a reportagem de O TEMPO Betim, logo após prestar depoimento na delegacia, Herik declarou ainda que o laudo do legista descartou que houve indícios de abuso sexual no menino. “A causa da morte foi o traumatismo mesmo. Foi uma pancada muito forte”, reforçou o pai.
Ainda de acordo com Herik, embora a mãe do filho dele tenha sido presa no domingo, ela acabou sendo liberada na audiência de custódia realizada na manhã desta quarta-feira, antes da conclusão de todos os laudos periciais. “Acredito que soltaram ela sem ter todos os documentos em mãos. Faltavam documentos do hospital e do legista. Depois que esses documentos chegaram, veio a nova ordem de prisão”, afirmou o pai.
Ele contou que esteve com a mulher antes de ela prestar depoimento na delegacia. “Olhei dentro do olho dela e perguntei se ela fez alguma coisa, nem que fosse empurrando ou pegando com agressão. Ela diz o tempo inteiro que nada aconteceu”, revelou o pai do menino.
O empresário relatou que, desde 20 de dezembro de 2025, passou a perceber hematomas no pequeno Ravi. “Uma vez quando peguei meu filho, ele chegou com o olho roxo. Eu questionei, e ela disse que não sabia o que era”, afirmou Herik.
Herik também mencionou que travou disputa judicial pela guarda do filho em 2024. Segundo ele, chegou a ficar com a criança e não quis devolvê-la devido ao estilo de vida da mãe, mas acabou cedendo. “Entrei com advogado para pegar a guarda. Depois devolvi porque acredito que criança pequena tem que estar com a mãe. Mas desde 2024 eu queria que ele morasse comigo”, disse o pai ao pedir justiça pela morte de Ravi. “Enquanto eu não tiver certeza, eu não vou entregar meu sentimento. Mas eu quero justiça pelo meu filho”, pediu o pai.
O menino foi levado pela mãe e pelo namorado dela por volta de 22h50 ao hospital. O prontuário médico indicou que a criança já estava em óbito e apresentava hematomas na cabeça, no rosto e nas costas, além de sinais que podem indicar violência sexual.
Segundo os profissionais, no dia 23 de janeiro, o menino também havia sido levado à unidade com lesões suspeitas, o que motivou o acionamento da polícia e do Conselho Tutelar.
Ainda no domingo, a jovem relatou que o filho não apresentou comportamento estranho durante o dia. A mãe contou que ela, o menino e o namorado foram a uma sorveteria durante a tarde e, depois, retornaram para a casa do homem. Por volta de 20h30, o menino teria jantado bastante, bebido refrigerante e assistiu televisão. Cerca de meia hora depois, ela afirmou que colocou o filho para dormir e foi tomar banho com o namorado.
Ao sair do banho, a mãe declarou que percebeu que o menino dormia muito próximo à parede, havia vomitado e estava com o corpo mole. Ela informou que pediu ajuda para levá-lo ao hospital, mas que a criança já chegou sem vida.
Sobre as lesões, a mulher disse acreditar que o ferimento na cabeça pode ter sido provocado durante o trajeto até a unidade de saúde. Em relação ao corte na boca, afirmou não saber o que ocorreu. Quanto aos indícios de abuso sexual, alegou que o filho tinha dificuldade para evacuar, vivia com intestino constipado e fazia uso de supositório, informação confirmada pelo pai da criança.
Conforme os relatos colhidos pelos policiais, a criança também havia sido diagnosticada recentemente com problemas no fígado. Algumas lesões foram associadas a uma alergia anterior.
Com Lucas Gomes e Nelson Batista