
Uma moradora de Betim, de 27 anos, foi alvo de um golpe que vem fazendo diversas vítimas no estado: o do falso advogado. No caso da jovem, que não terá a identidade revelada, o prejuízo poderia ter sido superior a R$ 10 mil se a irmã dela não tivesse desconfiado a tempo. Maria (nome fictício) conta que, depois que a mãe faleceu, há cerca de dois anos, ela e a irmã deram início a um processo judicial para terem acesso à conta bancária da matriarca. No último dia 3, ela foi contactada pelo WhatsApp por uma pessoa que fingia ser um dos advogados que representam a família.
“Não desconfiei de nada. Ele me mandou um PDF do processo, disse que tinha uma boa notícia e pediu os dados da minha conta. Depois, recebi outra ligação, e a pessoa solicitou novamente os dados da minha conta e da minha irmã, além de pedir que eu informasse nossos saldos. O meu era de pouco mais de R$ 6, e o dela, de aproximadamente R$ 9.900. Nessa hora, o tal advogado me pediu o contato da minha irmã e ficou de me retornar quando tivesse alguma novidade”, conta.
Cerca de 15 minutos depois, porém, foi a própria irmã que ligou para Maria dizendo que tudo não passava de um golpe. Os criminosos tinham feito uma chamada de vídeo e pedido que ela acessasse o aplicativo do banco, o que gerou desconfiança. “Ela não acessou, mas, àquela altura, eles tinham a imagem dela, poderiam fazer o reconhecimento facial e acessar a conta. Com medo, minha irmã transferiu o dinheiro todo para a conta do marido, inclusive o limite do cheque especial. Foi um desespero”, relata.
Já a advogada cível Roberta Meneses foi vítima de criminosos que se passaram por ela para extorquir clientes. A jurista diz que os transtornos tiveram início em março do ano passado. “Eles passavam dados básicos dos processos e falavam que, para receber os valores, seria necessário pagar taxas do Judiciário, induzindo as pessoas a fazer um Pix”, explica. “Um cliente chegou a transferir R$ 500, e outra pessoa, já idosa, transferiu R$ 50 mil”, relata a advogada.
Para dificultar o acesso de golpistas ao sistema de Processo Judicial eletrônico (PJe), a segurança foi reforçada e, hoje, é exigida uma segunda etapa de verificação, com uma autenticação via celular. De acordo com Roberta, a medida coibiu a ação dos criminosos por um tempo, mas, na última semana, ela voltou a ser alvo deles. “Duas clientes que me conhecem muito bem receberam mensagens em meu nome, mas perceberam que não era eu, identificaram o golpe e me avisaram. Imediatamente, postei um alerta no meu Instagram e no meu WhatsApp”, conta.
A advogada ressalta a importância de as pessoas se atentarem a alguns sinais e sempre desconfiarem de abordagens com promessas de celeridade em processos judiciais. “Verifique se o destinatário do Pix ou da guia é o advogado, o escritório ou o Tribunal de Justiça; desconfie de prazos muito apertados para pagamentos (golpistas costumam fazer pressão psicológica); e, em caso de dúvida, ligue para o advogado ou, se possível, vá até o escritório. Além disso, registre um boletim de ocorrência”, orienta Roberta.
Segundo a Polícia Civil (PCMG), o golpe do falso advogado é recorrente, e, “atualmente, há inquéritos policiais em andamento para a apuração dessa prática criminosa”.
A corporação também orienta a população a se precaver desconfiando de contatos recebidos por aplicativos de mensagens, principalmente quando houver solicitação de valores ou dados bancários; confirmando diretamente com o advogado responsável a veracidade das informações recebidas; e evitando o compartilhamento de dados pessoais e financeiros sem a devida checagem.
“A PCMG esclarece que o estelionato é um crime de ação penal pública condicionada à representação criminal das vítimas, conforme previsão legal, para a instauração de inquérito policial. Portanto, a instituição orienta que todo cidadão lesado procure a delegacia de polícia mais próxima de sua residência, a fim de propor a devida representação e apresentar as provas/documentos que possam subsidiar os trabalhos de polícia judiciária”.