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Cadeirante denuncia suposta recusa de embarque em van em Betim

Episódio ocorreu na última segunda (23), na avenida Governador Valadores; caso tomou repercussão e foi debatido na Câmara

Por Lisley Alvarenga

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 | 17:55

 
 
Jéssica Caroline da Cruz, de 31 anos, avalia que a repercussão trouxe visibilidade a um problema estrutural Jéssica Caroline da Cruz, de 31 anos, avalia que a repercussão trouxe visibilidade a um problema estrutural Foto: Arquivo pessoal

Uma denúncia feita por uma vendedora de Betim, que é cadeirante, ganhou repercussão nas redes sociais e chegou à tribuna da Câmara Municipal nesta semana. Jéssica Caroline da Cruz, de 31 anos, moradora do bairro Vila das Flores, publicou um vídeo em que relata ter sido impedida de embarcar em uma van da linha 20.  

Em conversa com a reportagem de O TEMPO Betim, Jéssica conta que o episódio ocorreu em um ponto de embarque e desembarque de passageiros na avenida Governador Valadares, no Centro de Betim, na segunda-feira (23/2). Ela diz que sinalizou normalmente para a van, mas, ao parar, o motorista teria informado que não poderia realizar o embarque. “Ele se negou a me levar e eu fiquei no ponto”, relata Jéssica. 

Cadeirante desde o nascimento, Jéssica afirma que depende do transporte coletivo para trabalhar e circular por diferentes pontos da cidade ao longo do dia e noite. 

Jéssica revela que episódios de recusa por motoristas em veículos do transporte público municipal são recorrentes e que ela registra reclamações na Transbetim, órgão responsável pelo trânsito em Betim. “Eu faço todo o procedimento que pedem, anoto o prefixo da van, informo o horário, explico o que aconteceu, mas não vejo resultado prático”, reclama.  

Apesar da indignação inicial, Jéssica acredita que a repercussão trouxe visibilidade ao problema estrutural. Segundo ela, a expectativa agora é que haja apuração rigorosa e fiscalização mais efetiva por parte do poder público sobre o transporte público municipal. “Não se trata de querer prejudicar ninguém, mas de exigir respeito e cumprimento das regras. Se existe fiscalização e regimento, eles precisam ser aplicados”, reivindica. 

Debate na Câmara 

O caso tomou repercussão e foi levado à tribuna da Câmara Municipal pelo vereador Baé da Comunidade (PP). Durante seu pronunciamento na tribuna, na terça (24/2), o parlamentar informou que entrou em contato com representantes da categoria e da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana para obter esclarecimentos. “O que não podemos permitir é que episódios como esse se repitam. A acessibilidade não é favor, é direito”, defendeu o parlamentar. 

Posicionamento

Em nota, a s Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana informou que se solidariza com a usuária da linha 20 do Sistema de Transporte Público de Baixa Capacidade (STPBC), Jéssica da Cruz, e reafirmou o compromisso com um transporte seguro e acessível. Segundo a pasta, a passageira foi acolhida por técnicos da Transbetim, responsável pela gestão do sistema.

A prefeitura afirmou que iniciou imediatamente a apuração dos fatos e levantou os laudos de vistoria do veículo. A última inspeção, realizada em 16 de janeiro de 2026 por empresa técnica credenciada e homologada pelo Detran, atestou o pleno funcionamento do elevador de acessibilidade, informou a nota.

O município declarou ainda que a vistoria, obrigatória a cada seis meses, está dentro do prazo de validade, mas, que, ainda assim, uma nova verificação foi feita na terça por agentes municipais, que não constataram irregularidades ou falhas no equipamento de embarque para cadeirantes.

A secretaria destacou que casos envolvendo acessibilidade são tratados com prioridade e que todas as providências serão adotadas para garantir a eficiência do sistema e o respeito aos usuários. Informou ainda que denúncias e reclamações podem ser registradas pelo telefone 0800 283 5993.

Por fim, a nota afirma que o permissionário poderá sofrer sanções e receber orientações e ações educativas sobre os direitos dos passageiros, especialmente das pessoas com deficiência, e reforça que o sistema conta com espaço e equipamentos adequados para o transporte seguro desse público.