INOVAÇÃO

Grupo SADA inaugura IGAR, em Igarapé, e projeta Minas na reciclagem de veículos

Com um investimento de R$ 200 milhões, a unidade de 80 mil metros quadrados tem capacidade de gerar de 100 a 120 toneladas de sucata por hora

Por Gabriel Rodrigues

Publicado em 26 de fevereiro de 2026 | 00:28

 
 
Vittorio e Daniela Medioli, presidente e vice-presidente do grupo, respectivamente, recepcionaram, na inauguração, personalidades como o vice-governador de Minas, Mateus Simões Vittorio e Daniela Medioli, presidente e vice-presidente do grupo, respectivamente, recepcionaram, na inauguração, personalidades como o vice-governador de Minas, Mateus Simões Foto: Flávio Tavares/O TEMPO

Já consolidado no ramo da logística do setor automotivo, o Grupo SADA dá mais um passo na cadeia produtiva e, agora, atende também ao fim do ciclo de vida dos veículos. Nesta quarta-feira (25/2), o conglomerado inaugurou a Igarapé Reciclagens (IGAR), maior recicladora integrada de automóveis do Brasil. Com capacidade para processar até 300 mil veículos por ano, a planta pode se tornar uma peça-chave na sustentabilidade da indústria automotiva.

Com um investimento de R$ 200 milhões, a unidade de 80 mil metros quadrados tem capacidade de gerar de 100 a 120 toneladas de sucata por hora. No primeiro ano de operação, a previsão é chegar a 50 mil carros reciclados. A sucata será direcionada à indústria siderúrgica, por exemplo, e será utilizada tanto na produção de novos veículos quanto em outros produtos.

A solenidade de inauguração contou com a presença de personalidades como o presidente e a vice-presidente do Grupo SADA, Vittorio e Daniela Medioli, respectivamente; o vice-governador de Minas, Mateus Simões; o diretor de compras de metálicos e bioflorestas da ArcelorMittal, Bernardo Rosenthal; o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e vice-presidente da Stellantis, Márcio de Lima Leite; e o secretário-adjunto de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Lucas Ramalho.

Economia circular e sustentabilidade

O ciclo de reciclagem de veículos segue o conceito da economia circular, modelo que busca minimizar ao máximo o desperdício. Em seu discurso, Daniela Medioli sublinhou o papel da IGAR no setor: “A taxa de reciclagem de veículos ainda é extremamente baixa, chegando a apenas 1,5%. Ao mesmo tempo, convivemos com pátios lotados e carcaças abandonadas, que representam riscos ambientais e de segurança. A IGAR surge como resposta concreta a esse cenário, oferecendo uma solução estruturada, rastreável e ambientalmente responsável”, afirmou.

O presidente do grupo, Vittorio Medioli, agradeceu pessoalmente ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, pelo apoio ao projeto, que está alinhado ao Programa Mover e à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). “Por que uma empresa de logística acabou se envolvendo nisso? O Grupo SADA entrou no setor de autopeças, da indústria, da geração de biocombustíveis e de uma infinidade de frentes. Temos uma mentalidade muito aberta e enxergamos o problema com a amplitude necessária para a escolha de soluções”, destacou o empresário.

Descarbonização da frota

A destinação dos ELVs (End-of-Life Vehicles – veículos em fim de vida) é um desafio para a descarbonização. A IGAR busca solucionar uma questão estrutural da frota brasileira, uma das mais velhas do mundo, com média de 10 anos e 11 meses, segundo o Sindipeças. Em geral, veículos mais antigos implicam maior emissão de gases de efeito estufa.

O vice-presidente da Anfavea e da Stellantis, Márcio de Lima Leite, enfatizou o protagonismo do setor: “Muitas vezes há um questionamento sobre a indústria automobilística e o meio ambiente. No entanto, ela tem sido a grande responsável pelo amadurecimento do processo de descarbonização no Brasil nos últimos anos”, ponderou.

Mateus Simões destacou o caráter inovador do empreendimento. “Eu podia começar por vários pontos, mas eu começo pelo caráter inovador por essa lógica da logística reversa aplicada a automóveis. Vittorio Medioli tem defendido, há anos, que a gente precisar avançar nessa direção e passou essa última década construindo um projeto, que a gente sabe, é um projeto de excelência. A ponto de ser o guia da regulamentação de todo o sistema Mover montado pelo governo federal", disse.

"Para nós, em Minas Gerais, é motivo de orgulho e satisfação saber que aqui que temos a solução para a logística reversa de veículos, mas é também uma oportunidade excepcional porque aí significa produção de mais carros no estado, geração de mais empregos. Temos toda a economia circular no reaproveitamento desses que deixam se ser resíduo e viram novamente matéria-prima, então é um momento de muita alegria para Minas Gerais”, completa o vice-governador.

Parceria estratégica com a ArcelorMittal

No processo de reciclagem, os diferentes componentes são separados e destinados a recicladoras específicas. A IGAR tem potencial para reinserir 80% dos materiais dos automóveis nos ciclos produtivos.

O primeiro contrato do novo empreendimento foi firmado com a ArcelorMittal Brasil, que processará a sucata para a produção de aço. O diretor Bernardo Rosenthal lembrou que a sucata é hoje um motor de sustentabilidade: cerca de 54% do aço produzido pela ArcelorMittal já é originado de reciclagem.

“O que antes era visto apenas como resíduo, hoje é reconhecido como um recurso estratégico global. Na ArcelorMittal, entendemos que a sucata é um dos principais motores da descarbonização e da competitividade”, disse Rosenthal.

A escolha de Igarapé para a instalação da planta fortalece a integração logística do Grupo SADA, que possui seu maior pátio de veículos na mesma cidade. Como estratégia de otimização, as cegonhas que transportam veículos novos poderão retornar à região abastecidas com automóveis destinados à reciclagem.