TRISTEZA

Emoção e revolta marcam enterro de adolescente de 16 anos morta a tiros no Icaivera

Família refuta a alegação dos suspeitos de que a vítima tinha envolvimento com o tráfico e afirma que a motivação do crime é passional

Por Márcio Antunes e Sara Lira

Publicado em 25 de março de 2026 | 15:21

 
 
Familiares vestiam camisas pedindo por justiça Familiares vestiam camisas pedindo por justiça Foto: Nelson Batista

"Tiraram da gente o direito de acompanhar a vida dela e até de velar o corpo dela". A frase, repleta de dor e revolta, é da tia da adolescente Gabrielly Marques de Oliveira Belo, de 16 anos, morta a tiros há uma semana, no bairro Icaivera, em Betim. O corpo da menina foi enterrado na tarde desta quarta-feira (25/3), no Cemitério Municipal Recanto do Paraíso, em Esmeraldas, cidade onde a família morava. Gabrielly morreu após ser alvejada com ao menos seis tiros no peito, por dois jovens, de 18 e 19 anos, que confessaram o crime na noite de domingo (22/3) e levaram a polícia até o local onde o corpo foi deixado. 

A família contesta a versão apresentada pela dupla, de que a adolescente tinha envolvimento com o tráfico de drogas, e clama para que o crime não fique impune. "Isso é mentira. Ela era uma menina de 16 anos com mentalidade de 12. A motivação desse crime é passional. Ela teve um breve relacionamento com um deles. Tivemos acesso ao telefone dela agora e a todas as conversas. Desde janeiro, eles vinham conversando, e ele vinha fazendo ameaças", contou a tia de Gabrielly, Nayane de Oliveira Souza, durante o velório do corpo da garota. "Parem de ficar julgando através do que o povo pensa. Claro que os suspeitos vão falar que ela arrumou uma emboscada, mas o que temos aqui mostra exatamente o contrário", completou.

Segundo Nayane, na semana passada, o suspeito de 18 anos convidou Gabrielly para sair, e a adolescente expôs parte da conversa em uma rede social, o que teria provocado a ira do jovem. "Ele pediu para ela remover a postagem, mas ela não removeu. Foi o que levou ele a fazer o que já estava tramando desde janeiro", afirmou. Ela acredita que mais pessoas estejam envolvidas com o crime.

Comoção

Vestidos com camisas que diziam "Justiça pela Gabi" e segurando balões brancos, amigos e familiares clamavam para que o crime não fique impune. "Ela era um amor de pessoa, muito inocente. Se via alguém passando mal, corria para ajudar. Não sei por que fizeram isso com ela. Não tem explicação", comentou a amiga de Gabrielly, Noemi Vitória, de 17 anos. Segundo ela, a adolescente estudava e sonhava se tornar advogada criminalista. 

Relembre

O corpo de Gabrielly foi encontrado na noite de domingo, após dois jovens, de 18 e 19 anos, confessarem o crime para a polícia. Eles levaram os militares até o local onde o cadáver foi encontrado, uma área de mata de difícil acesso no bairro Icaivera. Ela estava desaparecida desde o dia 18 de março.

Conforme relatado pelos suspeitos, o mais novo, com quem ela tinha um envolvimento, tentou dar uma facada na vítima, porém a faca não perfurou o corpo. Na sequência, o rapaz de 19 anos teria efetuado os disparos que culminaram na morte da adolescente.