Catadora há 14 anos, Andressa Aparecida Mariano, coordenadora da Ascapel, vai participar do projeto Óleo Circular Solidário
Foto: Carolina Miranda
Catadora há 14 anos, Andressa Aparecida Mariano, coordenadora da Ascapel, vai participar do projeto Óleo Circular Solidário
Foto: Carolina Miranda
Betim dará início, na terça (14/4), a uma iniciativa que pretende incentivar o descarte correto e promover a reciclagem do óleo de cozinha gerado na cidade: a oficina do projeto Óleo Circular Solidário.
O encontro, promovido pela Cooperativa Rede Cataunidos com patrocínio da Petrobras, está previsto para ocorrer das 8h30 às 17h, na CDL Betim. A ação marca a implantação oficial da iniciativa no município, que será executada pela Associação de Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis de Betim (Ascapel), entidade que atualmente conta com 14 catadores e catadoras.
De acordo com o técnico ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ronaldo Vieira Freire, a oficina terá papel central na estruturação do projeto, pois será o primeiro encontro dedicado à construção coletiva de um plano de trabalho adaptado à realidade local.
“Catadores e catadoras participarão ativamente da definição de estratégias, desde o mapeamento de grandes geradores do resíduos, como restaurantes, lanchonetes, universidades e refeitórios industriais, até a organização de rotas de coleta e pontos de entrega voluntária”, explicou o especialista.
O evento também reunirá representantes de 17 associações e cooperativas de catadores de 15 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, integrantes do Núcleo Metropolitano.
Segundo o técnico, com base em dados populacionais do IBGE de 2025, estima-se que os moradores de Betim consumam aproximadamente 8,6 milhões de litros de óleo de cozinha por ano, o que equivale a mais de 700 mil litros de resíduo por mês.
No Brasil, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) e do IBGE, cerca de 1 bilhão de litros de óleo são descartados incorretamente por ano.
“Apesar do volume expressivo, ainda não há um sistema estruturado para o recolhimento desse resíduo, o que faz com que grande parte do óleo seja descartado de forma inadequada. As consequências ambientais são amplas: um único litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água, além de comprometer a oxigenação de rios e córregos, prejudicando a fauna aquática. No sistema de esgoto, o resíduo provoca entupimentos, sobrecarga nas estações de tratamento e aumento dos custos operacionais”, alertou o técnico ambiental.
Após a realização da oficina, a Ascapel dará início à elaboração do plano regional de mobilização. Entre as ações previstas estão o mapeamento de estabelecimentos geradores, a definição de pontos estratégicos de coleta e a organização logística das rotas de recolhimento do resíduo na cidade.
A coordenadora da Ascapel, Andressa Aparecida Mariano, explica que a Petrobras garantirá a compra de todo o material recolhido pelos catadores. No entanto, segundo ela, a adesão dos moradores será essencial para o sucesso do projeto.
“Após o uso, o morador deve deixar o óleo esfriar. Depois disso, o material precisa ser coado para a retirada de resíduos e armazenado em garrafas PET bem fechadas. Quando cheias, as embalagens poderão ser entregues em pontos de coleta ou diretamente aos catadores”, detalhou Andressa.