
O atleta da Associação dos Surdos de Betim Fabrizzio Castro, de 18 anos, conseguiu um feito importante: a aprovação no curso de Administração Pública na Fundação João Pinheiro (FJP), após tirar 920 pontos na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O motivo pode ser desconhecido, mas é de destaque: Castro tem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeiro idioma, o que torna o aprendizado da Língua Portuguesa um desafio a mais.
Ele conta que a estrutura gramatical do português é diferente da língua de sinais. "Aprendi Libras como primeira língua, pois tenho família surda. Com o tempo, fui aprendendo o português como segunda língua. No começo, foi difícil, mas tive apoio da minha família e aulas de reforço, o que foi essencial. Com o passar dos anos, fui melhorando bastante minha escrita, ampliando meu vocabulário e, aos poucos, deixei de ter dificuldades", conta.
O idioma sempre foi o foco dos estudos, principalmente no ensino fundamental. Com o tempo, ele conseguiu equilibrar e passou a estudar todas as matérias de forma igual.
Para o Enem ele comenta que, além das tarefas escolares, se dedicava aos conteúdos de 1 a 2 horas por dia. Antes das provas, intensificava os estudos, revisando o conteúdo por meio de slides e escritas no caderno.
No dia do exame ele começou pela redação, por saber que seria o maior desafio a ser enfrentado. Mas toda dedicação rendeu frutos, além da FJP, ele também conseguiu a aprovação em outras três universidades: Ibmec, PUC Minas e UEMG, todas no curso de administração.
"Quando recebi a notícia de que fui aprovado em quatro faculdades, fiquei muito feliz por ter alcançado meu objetivo, que também era um sonho da minha família", disse ele, agradecendo também ao apoio da namorada, que sempre o incentivou.
Agora, o projeto dele é se tornar especialista em políticas públicas e gestão governamental do estado, além de atuar como investidor.
Fabrizzio atualmente mora em Belo Horizonte e concilia a rotina de estudos com as atividades esportivas da Associação dos Surdos de Betim. Ele pratica futebol na entidade e dedica os finais de semana para os treinos aos domingos e viagens para competições.
Além disso, também faz parte da Seleção Brasileira de Surdos Sub-21, vinculada à Confederação Brasileira de Desportos de Surdos.
"Reconheço que não é uma tarefa fácil (conciliar os treinos com os estudos), mas com disciplina e organização, consegui me adaptar bem a essa rotina", concluiu.