IMUNIZAÇÃO

SUS amplia vacinação contra HPV para mulheres tratadas por lesões no colo do útero

Nova diretriz inclui público prioritário e busca reduzir recorrência de casos e mortes por câncer

Por O TEMPO

Publicado em 01 de abril de 2026 | 21:10

 
 
Em Betim, as doses estarão disponíveis nas 41 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) Em Betim, as doses estarão disponíveis nas 41 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) Foto: Prefeitura de Betim / Divulgação

O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a recomendar a vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) também para mulheres que já foram tratadas por lesões no colo do útero. A medida inclui como público prioritário pacientes diagnosticadas com Neoplasia Intraepitelial Cervical de alto grau (NIC 2 ou NIC 3) ou adenocarcinoma in situ (AIS), condições associadas à infecção persistente pelo vírus e com potencial de evolução para câncer.

A nova orientação amplia o acesso ao imunizante e estabelece que a vacinação deve ocorrer, preferencialmente, no mesmo ano do tratamento, podendo ser realizada no período perioperatório ou em até 12 meses após o procedimento. A indicação vale independentemente da idade.

O esquema vacinal recomendado é composto por três doses, com intervalo de dois meses entre a primeira e a segunda aplicação e de seis meses entre a primeira e a terceira. Além de ampliar a proteção, a estratégia busca reduzir o risco de recorrência das lesões e evitar novos procedimentos.

Segundo a prefeitura, em Betim, as doses estarão disponíveis nas 41 Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Para receber a vacina, é necessário apresentar prescrição médica e documento que comprove o diagnóstico, com o respectivo código CID (NIC 2, NIC 3 ou AIS).

A decisão foi definida após discussões técnicas envolvendo o Ministério da Saúde, o Instituto Nacional de Câncer (INCA), sociedades médicas, instituições científicas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), além de conselhos nacionais de secretários estaduais e municipais de saúde.

As lesões NIC 2 e NIC 3 correspondem a alterações celulares no colo do útero causadas pelo HPV e, quando não tratadas, podem evoluir para câncer. Já o adenocarcinoma in situ é considerado uma lesão pré-cancerígena. Esses quadros atingem principalmente mulheres em idade reprodutiva e, na maioria dos casos, são tratados por meio de cirurgia.

A infecção pelo HPV é um dos principais desafios de saúde pública, devido à alta prevalência e à sua relação com diversos tipos de câncer, como os de colo do útero, pênis, vulva, vagina, canal anal e orofaringe, além de verrugas anogenitais. Estimativas globais apontam cerca de 570 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano e aproximadamente 311 mil mortes relacionadas ao vírus.

No Brasil, segundo o INCA, o câncer do colo do útero é o terceiro mais frequente entre as mulheres e a quarta principal causa de morte por câncer nesse público, com cerca de 17 mil novos casos e aproximadamente 7 mil óbitos anuais. Os tipos 16 e 18 do HPV são responsáveis por cerca de 71% dos casos.

Com a ampliação da estratégia, o SUS reforça a vacinação como uma das principais ferramentas para reduzir a incidência e a mortalidade por câncer do colo do útero, integrando ações de prevenção e cuidado contínuo à saúde da mulher.