Prática de maus-tratos contra animais, incluindo envenenamento, pode resultar em pena de reclusão de 2 a 5 anos
Foto: Carolina Miranda
Prática de maus-tratos contra animais, incluindo envenenamento, pode resultar em pena de reclusão de 2 a 5 anos
Foto: Carolina Miranda
Moradores do bairro Cidade Verde, em Betim, denunciam uma série de casos de envenenamento, maus-tratos e desaparecimento de gatos ocorridos na região neste ano. Eles informaram que farão denúncia na Polícia Civil e reivindicam que haja investigação e responsabilização dos envolvidos.
O motorista Jaelson Apolo e a dona de casa Cecília Parada, moradores há 27 anos da rua Beta de Centauro, perderam a gata Amora, de 3 anos. Segundo Cecília, o animal já havia sido alvo de agressões anteriormente. “Não foi a primeira vez. Já atiraram nela com espingarda de chumbinho antes. Desta vez, além de envenenarem, bateram nela. Ela chegou muito mal em casa”, relata.
O caso aconteceu no dia 15 de abril. A gata foi levada ao veterinário após espumar pela boca e apresentar sinais de ferimentos, mas não resistiu. “A gente fez de tudo, mas não deu tempo. É uma coisa desprezível fazer isso com um animal indefeso”, crítica. O casal ainda não registrou ocorrência, mas pretende procurar as autoridades. “A gente quer justiça e que isso pare de acontecer. Eles são seres vivos, não fazem mal pra ninguém. A gente só quer que isso pare”, desabafa Cecília.
Entre os moradores, também há relatos de desaparecimentos e ataques na rua Canopos. A enfermeira Maria de Jesus Barbosa, moradora do bairro há 14 anos, conta que duas gatas sumiram: Jade, de 1 ano e 8 meses, e Maria, de 1 ano e 4 meses. Outra gata, Sofia, da mesma idade, voltou para casa machucada na Semana Santa. “Não sei o que aconteceu com as minhas gatas, mas sinto que foi algo grave”, afirma.
A professora Cássia Maria de Jesus Ferreira, que vive no bairro há 35 anos, conta que a sobrinha também perdeu uma gata, Princesa, de 5 anos. O animal havia sido doado para a sobrinha dela, que enfrenta problemas de saúde. “Ela era como uma cura pra minha sobrinha. Quando voltou envenenada, tentamos salvar, mas não conseguimos. Ela teve sangramento pelo corpo todo”, relata.
Segundo Cássia, a perda teve impacto direto na família. “Minha sobrinha sofreu muito, entrou em depressão. Até hoje sente a falta da gatinha. As pessoas precisam entender que é uma vida e que faz diferença na vida de alguém”, lamenta.
Já o pintor industrial Célio Rodrigues da Silva, morador da rua Sirus, relata um cenário ainda mais alarmante. Ele cuida de 11 gatos e afirma que quatro foram mortos recentemente por envenenamento. “De sábado (dia 18 de abril) pra cá morreram quatro. Eles vomitavam muito, parecia veneno. Tentei salvar, mas não teve jeito”, diz.
Célio acredita que os casos estejam concentrados em uma mesma área. “No raio de uns 300 metros, vários vizinhos estão passando por isso. Tem gato sumindo, outros morrendo. Quem está fazendo isso está por perto”, afirma. Ele também descreve o sofrimento ao encontrar os animais. “Um deles voltou sangrando e morreu no meu quintal, na área de lazer. Não deu tempo de fazer nada”, conta.
Procurada, a Secretaria Adjunta de Proteção Animal de Betim (Sepa) informou, por meio da Superintendência de Atendimento Veterinário, que é fundamental que os casos sejam formalmente denunciados. Segundo a responsável pela área, Maria Andreza Santos, a orientação é que moradores reúnam o máximo de informações possíveis, como fotos, vídeos, endereço e, se possível, identificação de suspeitos.
As denúncias podem ser feitas pelo telefone 153 ou diretamente à secretaria, pelo número (31) 98253-9153. Também é recomendado registrar boletim de ocorrência junto à Polícia Civil, já que maus-tratos a animais é crime previsto em lei.
“A secretaria pode receber as denúncias, fazer a averiguação inicial e encaminhar os casos aos órgãos competentes para investigação, além de orientar os moradores sobre os procedimentos necessários”, esclarece Maria Andreza.
A prática de maus-tratos contra animais, incluindo envenenamento, pode resultar em pena de reclusão de 2 a 5 anos, além de multa e proibição da guarda do animal, conforme a Lei nº 14.064/2020, conhecida como Lei Sansão, do deputado federal Fred Costa (PRD–MG).