NOVO SENTIDO

Gato Nelson vence a invisibilidade e ganha um lar

Pamela e Ariel deram uma chance ao felino, que é cego, após morte de cadelinha especial

Por Iêva Tatiana


Publicado em 30 de abril de 2026 | 10:22
 
 
Pet já está adaptado à nova casa e é o xodó dos tutores Pamela e Ariel

A economista e professora de história Pamela Sobrinho e o servidor público Ariel Lipovetsky estão aprendendo a ver o mundo sob uma nova perspectiva desde que o gato Nelson Rogério entrou na vida deles. Cego e com limitações motoras, o felino de aproximadamente 5 anos foi adotado há duas semanas pelo casal, até então inexperiente como tutor da espécie.

O gatinho sem raça definida vivia nas dependências da Secretaria Adjunta de Proteção Animal (Sepa) e vinha sendo divulgado pelo projeto “Invisíveis, Não Mais”, que incentiva a adoção de pets deficientes, idosos, doentes ou recuperados de doenças graves.

“Eu e meu marido tínhamos um animal especial, a Nazaré: uma cadela resgatada de uma rinha em uma operação do Ministério Público. Ela morreu há cerca de um mês. Ainda estávamos no processo do luto, mas queríamos continuar ajudando outros animais especiais. Vimos alguma coisa sobre o Nelson na página do projeto enquanto nossa cadelinha estava doente. Depois que ela faleceu, o post do gato apareceu de novo pra mim, e eu entendi como um sinal”, relembra Pamela.

Ainda aprendendo a lidar com a ausência de Nazaré, a economista se sentiu tocada pela permanência do bichinho no abrigo depois de ter sido resgatado com ferimentos de origem desconhecida. Não se sabe ao certo se Nelson foi vítima de maus-tratos ou de atropelamento. 

“Minha casa estava muito limpa, e eu não estava gostando disso. Então, pensamos: por que não adotar um gato para deixar o ambiente mais feliz?”, brinca Pamela.

Ela e Ariel, então, foram até a Sepa conhecer o novo morador da casa e receber orientações sobre as adaptações que precisariam fazer no espaço. No local das refeições, por exemplo, foi colocado um tatame para que Nelson perceba a diferença do piso e localize a água e a ração; os móveis são deixados sempre no mesmo lugar pare evitar que o gatinho trombe neles; e brinquedos sensoriais são usados para estimular a percepção dele. “Ele é muito espertinho”, resume a tutora.

A estudante de medicina veterinária e coordenadora de comunicação do projeto “Invisíveis, Não Mais”, Ariane Braga, completa: “Animais com deficiência, como o Nelson, ensinam sobre superação e adaptação diária. Eles não se sentem ‘vítimas’ de sua condição, apenas vivem o presente com gratidão. Essa energia transforma o ambiente doméstico e oferece um suporte emocional inestimável para quem os acolhe”, diz.

A nova rotina do Nelson está sendo compartilhada em uma página no Instagram.