
Enquanto muita gente sonha em viajar pelo mundo, a professora de inglês Deyse Arruda Costa, de 31 anos, conseguiu “sair fora da caixinha” e transformou esse desejo em rotina diária. Moradora do bairro Betim Industrial, ela passa cerca de 210 dias do ano a bordo de um navio, navegando em cruzeiros internacionais, trabalhando com crianças, descobrindo culturas e colecionando experiências que jamais imaginou viver.
Ainda na faculdade de letras, Deyse, que já fazia curso de inglês, decidiu fazer um intercâmbio cultural nos Estados Unidos, em Oklahoma. O objetivo era viver uma experiência de imersão na língua inglesa. O que ela não imaginava é que aquela viagem mudaria completamente o rumo da própria vida. “Quando estava terminando o intercâmbio, percebi que não conseguiria voltar e seguir uma vida comum em Betim. Eu queria continuar conhecendo culturas, pessoas e lugares”, lembra.
Foi nesse momento que surgiu um convite inesperado: trabalhar em um navio de cruzeiro. Em 2023, ela embarcou sem saber o que enfrentaria, mas carregando coragem suficiente para atravessar oceanos. “Fui na cara e coragem. Muita gente fala que a vida a bordo é muito pesada. E realmente trabalhamos bastante. Mas o que recebemos em troca é algo gigante. Conhecemos países, aprendemos idiomas, fazemos amizades no mundo inteiro. É gratificante”, afirma ela.
Hoje, Deyse trabalha como animadora infantil em uma companhia internacional de cruzeiros. Em meio a brincadeiras e oficinas com crianças de diversas nacionalidades, encontrou uma profissão que une o que ama: educação, viagens e conexão humana.
E de lá pra cá, o passaporte dela ganhou carimbos de países como Itália, França, Espanha, Portugal, Marrocos e Cabo Verde. “A Espanha me marcou muito. Fiquei impressionada com as artes feitas à mão nas catedrais que visitei. Aquilo me fez perceber o quanto o ser humano é extraordinário”, recorda a moradora de Betim.
Além do inglês, Deyse revela que hoje também se aventura no italiano aprendido na convivência diária com as crianças estrangeiras. “Não falo fluentemente ainda, mas já entendo bastante”, conta ao dizer que embora viva o peso da saudade dos amigos e dos familiares, incentiva outras pessoas com um sonho semelhante correrem atrás do que desejam. “Elas devem acreditar mais nelas mesmas e ter coragem para viver aquilo que sonham”, incentivou Deyse.