Cachorros ficavam presos em uma baia, num ambiente escuro, em meio a grande quantidade de urina e fezes
Foto: Kênia Rezende/Divulgação
Cachorros ficavam presos em uma baia, num ambiente escuro, em meio a grande quantidade de urina e fezes
Foto: Kênia Rezende/Divulgação
Sete cães em situação de maus-tratos e três aves silvestres mantidas ilegalmente foram resgatados pela Polícia Militar de Meio Ambiente em um haras no bairro Brodoski, na região do Serra Negra, em Betim.
A ocorrência foi registrada no dia 8 de maio, pelo 2° Pelotão de Meio Ambiente, após denúncia feita por uma protetora independente da cidade. Segundo o boletim de ocorrência, no local os policiais encontraram os cães presos em uma baia de cavalos, sem acesso adequado a água, alimentação e abrigo. Ainda de acordo com a ocorrência, há suspeitas de que os animais fossem utilizados para caça de bichos silvestres.
A protetora Kênia Regina de Rezende contou que decidiu acionar a Polícia Militar de Meio Ambiente após receber diversas denúncias em um grupo de WhatsApp, ao qual ela faz parte, afirmando que os animais viviam sem alimentação adequada e em ambientes insalubres. Ela contou ainda que foi informada de que fios elétricos também estariam conectados à grade da baia em que eles ficavam. “Quando os militares chegaram ao haras, tudo foi confirmado”, afirmou a protetora.
Durante a fiscalização, os policiais encontraram seis cadelas fêmeas sem raça definida em uma baia de aproximadamente seis metros quadrados. Segundo o boletim de ocorrência, o espaço apresentava forte odor, acúmulo de fezes e urina e condições precárias de higiene. Um cão macho também foi achado no fundo de uma residência dentro do haras, preso a uma coleira curta e sem abrigo adequado.
A veterinária Ana Paula Carvalho Rocha, que acompanhou o resgate dos animais, constatou que os cães estavam magros, com sinais visíveis de desnutrição e sem proteção adequada contra o frio e a chuva. Ainda segundo o laudo inicial feito pela profissional, os animais apresentavam sinais compatíveis com maus-tratos prolongados. “Foi uma cena muito triste. Alguns cães estavam extremamente debilitados e precisaram de atendimento imediato. Cada um demandou um tipo de tratamento específico porque os problemas de saúde eram muitos”, relatou a protetora Kênia.
Além dos cães, os militares localizaram três aves da fauna silvestre mantidas sem autorização ambiental, sendo um coleirinho e dois tico-ticos. No haras, também foram apreendidos materiais usados na captura de animais, como alçapão, armadilhas do tipo jequi, espingarda de pressão calibre 5.5, munições e outros equipamentos associados à caça ilegal e à rinhas de aves.
De acordo com a Polícia Militar de Meio Ambiente, algumas aves apresentavam sinais de mutilação. Entre as irregularidades constatadas estavam o acúmulo excessivo de fezes nas gaiolas e ferimentos nas penas e caudas dos animais. As aves foram encaminhadas ao Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama.
O responsável pelos cães e pelas aves seria um dos funcionários do haras. Segundo a ocorrência, ele não acompanhou a ação policial, já que teria deixado o local antes da chegada das equipes. Ele não foi encontrado posteriormente, mas foi multado pelos policiais ambientais em R$ 15.922,23.
A reportagem de O TEMPO Betim esteve no haras nesta segunda-feira (18/5), mas também não encontrou o funcionário para falar sobre o caso. De acordo com uma fonte, ele teria sido demitido, mas a reportagem não conseguiu falar com o proprietário para confirmar a informação.
Os sete cães resgatados foram levados para uma clínica veterinária particular, onde seguem internados. Assim que se recuperarem, serão colocados para adoção responsável. O caso foi encaminhado para a 3ª Delegacia de Polícia Civil de Betim, situada no Jardim Alterosas, que abriu um inquérito para investigar as denúncias.
A prática de maus-tratos contra animais pode resultar em pena de reclusão de 2 a 5 anos, além de multa e prorrogação da guarda do animal, segundo a Lei número 14.064/2020, conhecida como Lei Sansão, do deputado federal Fred Costa (PRD–MG).
Para ajudar no custeio do tratamento veterinário dos sete cães resgatados no haras, que já ultrapassa R$ 10 mil desde o resgate, voluntários e protetores independentes organizaram uma rifa solidária. A iniciativa busca arrecadar recursos para despesas com internações, consultas, exames, alimentação, medicamentos e suplementação dos cães resgatados.
“Estamos nos revezando diariamente para cuidar deles. A Sepa (Secretaria Adjunta de Proteção Animal de Betim) ajudou com parte dos medicamentos, mas ainda é insuficiente diante da gravidade do quadro. Precisamos de ração, suplementação, medicações e ajuda para custear a clínica”, disse a protetora Kênia.
Ela também destacou que, após a recuperação, os cães serão castrados, vacinados e disponibilizados para adoção responsável. “Queremos que eles finalmente tenham uma vida digna e segura, longe de qualquer violência”, disse Kênia.
Além da compra da rifa, os organizadores também recebem doações em dinheiro, ração, medicamentos veterinários e suplementos alimentares.
Para comprar a rifa ou ajudar com doações, basta acionar a protetora Kênia pelo Instagram @elitesports.betim ou realizar um Pix para a chave (31) 98427-7219 (Keli Alexandra Pereira Duarte), número por meio do qual também podem ser obtidas mais informações sobre o caso. Quem se interessar em adotar um dos cães depois que forem liberados do tratamento e castrados pode chamar Kênia pelo telefone (31) 99811-9935.