
Um homem de 58 anos, suspeito de feminicídio tentado, incêndio, ameaça e perseguição contra a companheira e a filha do casal em Betim, foi indiciado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). O inquérito foi concluído na segunda-feira (18/5), mas as informações foram divulgadas pela corporação nesta quarta (20/5). O homem está preso preventivamente desde o início deste mês.
A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) no município, responsável pela investigação, solicitou à Justiça uma medida protetiva para a companheira do suspeito, de 56 anos, depois que ele teria incendiado a casa dela e tentado matá-la, em abril último. O homem também teria ameaçado e perseguido a mulher e a filha dela, de 38 anos.
“O investigado agrediu violentamente a companheira com socos, tapas e um pedaço de madeira, causando diversas lesões nela. Depois, colocou álcool no corpo da vítima, cortou a mangueira do gás e ateou fogo à residência. Ela conseguiu fugir, e ainda assim ele teria efetuado disparos de arma de fogo na direção da mulher”, detalha a delegada Patrícia Godoy.
Ainda segundo a polícia, após o incêndio, o suspeito passou a perseguir e ameaçar familiares, especialmente a filha. “Ele ia em locais frequentados pela família, fazia contatos insistentes com ameaças, chegando a mencionar a intenção de praticar uma chacina, circunstância que gerou intenso temor entre as vítimas”, ressaltou a delegada. O homem teria, inclusive, ido à Deam quando a filha estava prestando depoimento. “Ele chegou minutos após a filha, sem apresentar justificativa plausível para estar na delegacia, reforçando o contexto de perseguição e intimidação identificado no curso das investigações”, completou Patrícia.
A companheira do suspeito contou, em depoimento, que foi ferida nas mãos, nas pernas e na costela. Ela só conseguiu fugir depois que o homem ficou desconfortável com a fumaça do incêndio causado por ele mesmo e abriu a porta do imóvel. Ele ainda efetuou cinco disparos contra ela. Os crimes teriam sido cometidos por ciúmes da companheira e uso de drogas pelo suspeito.
A filha relatou à polícia que, após o episódio, o investigado passou a perseguir sistematicamente a mãe e os familiares, demonstrando comportamento agressivo, obsessivo e intimidador, acusando-a de ajudar a mãe a se esconder dele.
Já o suspeito negou as acusações e alegou que a arma caiu no chão e foi danificada pelo incêndio. No entanto, ele voltou a fazer ameaças à família, sobretudo à filha, demonstrando indignação em relação às vítimas.
A delegada Patrícia Godoy representou pela prisão preventiva do homem, e o mandado foi cumprido pela Polícia Militar.