TRISTEZA

Bebê indígena de 1 ano e 4 meses morre no Centro Materno-Infantil de Betim

Criança da etnia Warao vivia na ocupação Terra Mãe, no PTB, e não resistiu a um quadro de desnutrição crônica

Por Iêva Tatiana e Lisley Alvarenga


Publicado em 29 de maio de 2026 | 15:57
 
 
Paciente deu entrada no CMI na segunda (25/5) e faleceu nessa quinta (28/5)

Uma criança indígena de 1 ano e 4 meses, da etnia Warao, morreu no Centro Materno-Infantil (CMI) de Betim em decorrência de um quadro clínico grave de desidratação e desnutrição crônica. Segundo a prefeitura, a criança deu entrada na unidade de saúde na última segunda-feira (25/5) e, "apesar de todos os esforços e da assistência prestada pela equipe multiprofissional da rede municipal de saúde", não resistiu e faleceu nessa quinta (28/5).

A bebê, da etnia Warao, vivia com a família na ocupação Terra Mãe, no bairro PTB, e, de acordo com o Executivo, teria chegado ao assentamento há cerca de um mês e ainda não tinha sido identificada e vinculada pela equipe de saúde nas ações de cadastramento e monitoramento realizadas no território. Ainda segundo a administração, atualmente, 244 indígenas da etnia Warao residentes na ocupação Terra Mãe possuem cadastro ativo e acompanhamento pela rede municipal de saúde.

A prefeitura informou também que, diante da gravidade do episódio, está instituindo um comitê intersetorial para avaliar o caso, identificar possíveis fragilidades nos fluxos de atendimento e fortalecer as ações integradas voltadas à promoção da saúde, proteção social e garantia de direitos dessa população.

"A Secretaria Municipal de Saúde ressalta que o atendimento a essa população apresenta desafios significativos, entre eles a constante mobilidade das famílias, a chegada frequente de novos grupos em situação de extrema vulnerabilidade, além de barreiras culturais e linguísticas que impactam o processo de identificação, vinculação e acompanhamento assistencial" afirmou o Executivo em nota.

Já a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou, também por meio de nota, que acompanha junto ao município as averiguações sobre óbitos envolvendo crianças da etnia Warao. No texto, a pasta ressalta que "a investigação epidemiológica dos óbitos infantis é obrigatória no SUS e deve ser conduzida pelo município de residência, com apoio das Unidades Regionais de Saúde e da SES-MG, com prazo de conclusão de até 120 dias após o óbito". 

De acordo com a secretaria estadual, após a conclusão dos trabalhos de investigação, o caso deve seguir para análise do Comitê de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal do município. A nota frisa ainda que "a supervisão e coordenação estratégica das ações dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) ficam a cargo do município".

Outras mortes na ocupação 

Em janeiro do ano passado, um bebê indígena de 4 meses, também da etnia Warao, faleceu na ocupação Terra Mãe com síndrome respiratória aguda grave. Exames da Vigilância Epidemiológica apontaram que o menino havia contraído influenza B, adenovírus e rinovírus.  

Cinco meses depois, em julho de 2025, uma menina da mesma comunidade indígena, grávida de 8 meses, morreu em razão de complicações o parto, no Centro-Materno Infantil (CIM). O bebê sobreviveu. O caso foi caracterizado na época como estupro de vulnerável, uma vez que a menina tinha menos de 14 anos.