LUTO

Morre, aos 80 anos, Maria Aparecida Campos, liderança social em Betim

Ela é mãe da cineasta Elizabete Martins Campos e foi uma das pioneiras na luta pela implantação de creches na cidade

Por Sara Lira


Publicado em 11 de junho de 2026 | 10:51
 
 
Uma das atuações de destaque de Dona Maria foi a criação da Creche Comunitária Sorriso de uma Criança.

Morreu, nessa quarta-feira (10/6), a liderança social Maria Aparecida Campos, mãe da cineasta Elizabete Martins Campos. O velório está sendo realizado na manhã desta quinta (11/6) no Cemitério Parque Jardim da Cachoeira e o sepultamento está marcado para ocorrer às 14h.

Maria Aparecida mudou-se para Betim em 1979, com o marido e os quatro filhos, após perder tudo o que tinha em uma enchente na cidade de Alvarenga, no interior de Minas Gerais. Sem casa e sem emprego, a família deparou-se com a pobreza da comunidade do Jardim Santa Cruz.

Segundo Elizabete, onde muitos veriam escassez, a mãe enxergou um chamado. Movida pela fé, procurou a Paróquia Jesus Operário e, ao lado do Padre Chico, deu início às primeiras missas da região, celebradas debaixo de uma árvore. Mais tarde, unindo forças com outros moradores, ajudou a erguer a igrejinha que se tornaria o coração espiritual e comunitário do bairro.

Dona Maria também foi um dos nomes pioneiros na luta pela educação em Betim na década de 1980. Mesmo sendo semi-analfabeta, ela fundou, em 1981, a Creche Comunitária Sorriso de uma Criança. A unidade nasceu com o objetivo de amparar as famílias, oferecendo refeições e os primeiros passos na educação infantil.

Durante 20 anos, ela atuou de forma totalmente voluntária na liderança da instituição. Para garantir a alimentação dos pequenos e uma ajuda de custo para os voluntários, desdobrava-se na realização de eventos beneficentes e na captação de recursos. O impacto de sua ação foi duplo: além de gerar educação e cuidado para centenas de crianças, a creche proporcionou que mães e mulheres da comunidade tivessem um local seguro para deixar seus filhos e pudessem buscar emprego.

Apaixonada pelo trabalho com a creche, Maria ainda participou ativamente da mobilização nacional pela implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no Brasil. Sua relevância na área da infância a levou a ser uma das fundadoras do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Betim e do Movimento de Luta Pró-Creche em Minas Gerais. Outro destaque da atuação social de Maria foi a luta pela implantação das redes de água, luz e da primeira escola na comunidade.

"Minha mãe é um exemplo de força e perseverança. Uma mulher que, mesmo sem saber ler e escrever, sempre esteve do lado do bem, e sempre ajudou as pessoas, principalmente as crianças", destacou Elizabete.

A filha ainda conta, com carinho, que a mãe foi sua sócia e principal incentivadora na fundação da produtora IT Filmes. A empresa foi responsável pela produção de obras, como o longa-metragem "My Name is Now, Elza Soares", e pela Mostra de Cinema de Betim.

Quem desejar conhecer mais sobre a história de Maria Campos pode ver o filme "Betim Viva", disponível no YouTube.