DIREÇÃO DEFENSIVA

Nevoeiro na pista: o que fazer? Especialista orienta.

Código de Trânsito Brasileiro prevê condutas específicas pra essa situação

Por Iêva Tatiana


Publicado em 27 de junho de 2026 | 10:38
 
 
Segundo a PRF, 14 veículos se envolveram na ocorrência de sábado (20/6), no Pingo D’Água

A baixa visibilidade em uma via de trânsito exige dos condutores não apenas cuidados redobrados, mas atenção à legislação. No último sábado (20/6), um forte nevoeiro pode ter sido a causa de um acidente com múltiplos veículos na BR–262, na altura do Pingo D’Água. Sete pessoas ficaram feridas, e uma morreu. 

Segundo a especialista em trânsito Cinthia Almeida, antigamente, a lei exigia que ao menos o farolete (conhecido como luz de posição) fosse aceso nesses casos, indicando a presença e a largura do veículo na pista. Após uma mudança feita no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), tornou-se obrigatório o uso do farol baixo em qualquer situação de baixa visibilidade. “O farol alto ofusca a visão de quem trafega no sentido contrário e não deve ser usado”, reforça Cinthia.

A especialista acrescenta que, diferentemente do que muitos pensam, ligar o pisca-alerta não é indicado em situações como a que ocorreu na BR–262. Segundo ela, o dispositivo deve ser acionado em casos de imobilizações, emergências ou quando a regulamentação da via determinar. “Pela direção defensiva, não é recomendado usar o alerta em meio a neblina porque a pessoa que vem atrás não vai saber se o seu veículo está parado ou andando”, justifica. “O ideal é estacionar em um lote lindeiro à pista, como um posto de combustíveis, e esperar que a visibilidade melhore, se for possível. Outra opção é trafegar pela faixa da direita, que é a mais segura por ser de menor velocidade, e manter a atenção redobrada”, acrescenta Cinthia.

A especialista afirma ainda que, embora não seja obrigatório, alguns veículos possuem dispositivos auxiliares, como farol e/ou luz traseira de neblina, que ajudam em cenários de nevoeiro e chuva forte. Cinthia frisa também que a sensação de não conseguir se orientar adequadamente em uma pista, sobretudo em uma rodovia, é realmente muito ruim e pode gerar ansiedade ou até pânico. A orientação dela é que o condutor respire fundo para oxigenar bem o cérebro e mantenha a tranquilidade, orientando-se pelas luzes do veículo à frente e pelas faixas pintadas na via. “Conseguir trabalhar o emocional em situações críticas é a arte mais difícil. Já a presença de dispositivos refletores na pista é o mínimo que uma rodovia deve oferecer. Estar em boas condições é essencial também. É até absurdo que a gente tenha que esperar mais conservação de uma via concedida, mas é fato”, pontua a especialista, fazendo referência à BR–262, administrada pela Way 262.

A reportagem do O TEMPO Betim pediu à concessionária um posicionamento sobre a ocorrência de sábado, mas não teve retorno.

Umidade atípica tem influência no cenário

Um nevoeiro é uma nuvem de microgotículas formada em uma superfície diante da combinação de umidade e baixas temperaturas. “Quando é muito raso, fica uma espécie de fumaça que não chega a atrapalhar a visibilidade. Chamamos, nesse caso, de névoa úmida. Quanto mais denso, mais compromete a visibilidade”, explica a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Anete Fernandes. 

Segundo ela, os nevoeiros não são comuns na região metropolitana, onde o outono-inverno costuma ser de estiagem e baixa umidade. Neste ano, porém, os meses de maio e junho foram mais úmidos. Anete afirma que, por ser um evento incomum, é mais difícil de prever. “Um toque para a população: se houver chuva durante o inverno e as temperaturas estiverem amenas, a chance de formação é alta”, diz.

Ocorrência teve um óbito e sete pessoas feridas

O acidente na BR–262, na altura do Pingo D’Água, ocorreu por volta das 7h de sábado. Sete pessoas ficaram feridas – todas já receberam alta do Hospital Regional de Betim –, e uma morreu no local. 

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), 14 veículos se envolveram na ocorrência, sendo um ônibus, duas combinações de veículos de carga e 11 automóveis. Um dos veículos, no entanto, teria deixado o local do acidente antes da chegada das equipes. Já o Corpo de Bombeiros, que atuou no atendimento às vítimas junto ao Samu e à Way 262, informou que a ocorrência teve 15 veículos envolvidos. Testemunhas relataram que uma forte neblina prejudicou a visibilidade na pista.