
A empresária betinense Mila Xaves criou um aplicativo que permite que mulheres vítimas de violência peçam ajuda a uma rede de contatos de maneira remota, sem necessidade de tocar no celular. O +Mulher já está pronto, em fase de testes finais e aguardando aprovação nas lojas dos sistemas Android e iOS.
Desenvolvida em parceria com os engenheiros de software Pedro Gandra e André Oliveira – também betinenses –, a ferramenta funciona em segundo plano (não precisa estar com a janela aberta) e possibilita que a usuária diga uma palavra-chave previamente definida para que até cinco contatos cadastrados recebam um pedido de socorro acompanhado da localização em tempo real da vítima.
A ideia surgiu de uma experiência familiar com desfecho trágico. Mila é prima da mulher que foi morta a facadas na frente dos filhos por um jovem de 18 anos, na porta de casa, em Campos Altos, no Alto Paranaíba, após recusar um beijo do agressor, em fevereiro último. “Sofri um baque e fiquei pensando o que eu ou ela poderíamos ter feito para evitar esse crime. Como já trabalho na área de criação de ferramentas digitais, me veio a ideia: o que a mulher – ou qualquer outra pessoa – não deixa de usar? Um brinco, um colar ou uma pulseira a gente se esquece de colocar ou troca no dia a dia. Já o celular, se deixamos em casa, voltamos para buscar. Então, eu e os engenheiros fomos nos colocando no lugar de uma mulher em situação de vulnerabilidade e criando o aplicativo”, conta Mila.
A ideia do grupo é lançar a plataforma em menos de dois meses, durante a campanha nacional Agosto Lilás, de combate à violência contra a mulher. Para que ele possa ser gratuito, no entanto, faltam recursos financeiros. De acordo com Mila, o custo do sistema de acionamento por voz é elevado e proporcional ao número de usuários. “Quanto mais gente, mais cara é a base. Nossa luta, hoje, é por apoiadores ou patrocinadores, para que não tenhamos que lançar o aplicativo como gratuito e torná-lo pago depois. É importante que ele chegue ao máximo de mulheres possível. Estamos em contato com grandes marcas e empresários, mas não tivemos nenhuma resposta concreta ainda”, diz Mila.
Segundo a empresária betinense, a proposta é que o +Mulher possa ser integrado a serviços já ofertados pelas forças de segurança pública, como o Ligue 180, programas relacionados à Lei Maria da Penha e outras iniciativas de proteção à mulher. “Já estamos em contato com autoridades do governo federal”, adianta Mila. “No aplicativo, nada denuncia que a vítima pediu ajuda. Dessa forma, antes que aconteça algo muito trágico, ganhamos tempo para que ela receba socorro”, emenda a empresária.
Outra funcionalidade do app é conscientizar e prevenir a violência de gênero por meio de uma comunidade dentro da plataforma, com envio de informações, conteúdos educativos e palestras online sobre o tema, criando uma espécie de rede de apoio virtual.