PIONEIRISMO

Veterinário de Betim realiza cirurgia inédita no município

Carpa foi submetida a procedimento de duas horas, fora d'água, para retirada de tumor

Por Iêva Tatiana

Publicado em 30 de junho de 2026 | 20:50

 
 
Animal foi mantido em plataforma por cima da água Animal foi mantido em plataforma por cima da água Foto: Reprodução/Instagram @thiagoo.freitas e @clinicapropet.betim

Um procedimento incomum na medicina veterinária foi realizado em uma clínica de Betim: a remoção cirúrgica de um tumor em um peixe. Segundo o veterinário Thiago Freitas, especialista em animais silvestres e exóticos, a história teve início quando o tutor da carpa koi notou o animal prostrado, sem apetite e com um grande volume na região dos órgãos reprodutores. 

Assista ao vídeo:

 

Exames de imagens realizados no peixe, como raio-x e ultrassom, identificaram uma estrutura compatível com um tumor de ovário, além de uma grande quantidade de ovos retidos, indicando que o animal não estava conseguindo botar. Diante desse quadro, Freitas e a equipe decidiram realizar a cirurgia, apontada pelo veterinário como "pioneira em Betim". 

Para a realização do procedimento, a carpa recebeu analgésicos e medicações pré-anestésicas antes de ser levada ao bloco cirúrgico. "Foi montada uma mesa adaptada, na qual o animal ficou suspenso em uma plataforma por cima da água, e uma bombinha ligada a um cilindro de oxigênio jogava água diretamente na boca do peixe, passando pelas guelras, que são os órgãos do sistema respiratório. Dessa forma, mantivemos o animal vivo fora da água", detalha o especialista, acrescentando que a cirurgia durou cerca de duas horas. 

De acordo com Freitas, o procedimento é "extremamente incomum", já que os peixes não demonstram problemas de saúde. Nesse caso específico, o quadro já era crônico, mas o fato de o animal não se prostrar tão rapidamente quanto outros pets dificultou a percepção do tutor. "Essa cirurgia nunca tinha sido realizada aqui na região. Eu tenho pós-graduação em clínica e cirurgia de animais silvestres e exóticos e realizei aperfeiçoamento técnico em cadáveres, mas foi a primeira vez que fiz o procedimento em um animal vivo", destaca o veterinário.

Apesar dos esforços de Freitas e da equipe, a carpa koi não resistiu e faleceu no dia seguinte ao do procedimento.