PERTURBAÇÃO DE SOSSEGO

Moradores do Angola reclamam de som alto e confusão na Praça São Cristóvão  

Imagens mostram música alta, barulho de motos e até motociclista na contramão próximo à praça

Por Sara Lira


Publicado em 01 de julho de 2026 | 15:19
 
 
Comemoração foi até tarde da noite, incomodando quem mora nas proximidades da Praça São Cristóvão

Moradores do bairro Angola, em Betim, reclamam que o barulho excessivo na Praça São Cristóvão tem causado diversos transtornos. Um dos exemplos foi a comemoração pela vitória do Brasil contra o Japão, em jogo que disputou vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo, na última segunda-feira (29/6). Imagens de um vídeo obtido pela reportagem mostram dezenas de torcedores na praça, com carros de som tocando música alta, além de pessoas a bordo de motos fazendo barulhos por meio do chamado "corta giro". No vídeo, também é possível ver um motociclista acessando a rua do Rosário por uma via na contramão.  

"Essa perturbação foi até por volta das 23h. Isso não pode acontecer. O Angola é um bairro com muitas pessoas idosas. Minha mãe, por exemplo, tem 86 anos. É uma falta de respeito", destacou Renato Caran, que mora na região. 

Perseguição 

Uma moradora do Centro que estava próximo à Praça do Óleo naquela noite relatou à reportagem, sob anonimato, que testemunhou uma perseguição policial na rua do Rosário na contramão. “Duas motocicletas da Polícia Militar estavam atrás de um motociclista. Eles foram no sentido à Paróquia São Francisco de Assis. Ficamos muito assustados. Por sorte, nenhum carro estava vindo em direção à praça no momento. Senão, poderia ter acontecido um acidente”, relatou a moradora.

Fim do sossego

Segundo Caran, a situação fica ainda pior às quintas-feiras e aos fins de semana. "Às quintas, o pessoal vem a cavalo e para na praça para beber. Juntam outras pessoas com caminhonete com som acoplado, e o barulho fica insustentável. Não sabemos mais o que fazer", completa. 

Outro morador que se diz cansado da situação é Cléber Costa e Silva. Ele vive com a mãe, que sofre de esquizofrenia, nas proximidades da praça e diz que o barulho prejudica ainda mais a condição dela.

"Quando chega a noite, ela começa a ficar nervosa com a aglomeração de pessoas fazendo barulho e os carros competindo qual liga o som mais alto. O pior é que não tem horário para acabar", lamenta. 

Mudança de endereço

Há, ainda, quem já esteja planejando se mudar por não aguentar mais o barulho. É o caso de uma moradora da região que pediu para não ser identificada. Segundo ela, o problema vai além, advindo também de um bar na região, que costuma provocar barulho e isolamento da rua. 

"Nós temos dificuldade para acessar a via quando o bar está aberto. Além disso, o barulho é insuportável. É música alta e muita gritaria. Nós fechamos o apartamento todo e ligamos o ventilador para ver se ameniza, mas não adianta", diz.

Segundo ela, quando o bar fecha, parte do público segue para a praça, e o problema continua madrugada adentro. "No nosso prédio tem muito idoso. Eu e meu marido acordamos cedo para trabalhar e nossos filhos também acordam cedo para ir à escola. Ninguém consegue dormir", lamenta.

Por conta dessa situação, ela já está à procura de um outro local para morar. "Não sou a primeira pessoa que sai daqui por conta do barulho. É lamentável porque é uma boa região para morar. Mas, com tanto barulho, não tem condições", completa.

Ela ainda relata que abriu uma reclamação junto à Ouvidoria da Câmara. A resposta que obteve é que a Comissão de Segurança Pública havia recebido a solicitação e encaminhado para avaliação da prefeitura.

Segurança

Os moradores também relatam que temem pela própria segurança. Caran e a moradora que pediu para não ter o nome citado afirmam que é comum ver pinos de cocaína na praça no dia seguinte.

"Eu parei de ir com minha filha na praça para ela não precisar ficar vendo esse tipo de coisa", completa ela.

Retorno

A reportagem solicitou um posicionamento da Guarda Municipal de Betim e da Polícia Militar, e aguarda um retorno.