RELATO

Memórias da Fiat: o homem que liderou cem engenheiros em Betim

Ex-diretor da Fiat conta como viveu a transformação da marca italiana no Brasil de 1982 até a criação da Stellantis e a criação de modelos icônicos em Betim

Por O TEMPO


Publicado em 11 de julho de 2026 | 08:23
 
 
Robson Cotta ao lado do primeiro 147 movido à álcool, preservado na fábrica de Betim

Sou Robson Cotta, formado em engenharia mecânica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) com pós-graduação em gestão de projetos. Trabalhei por 39 anos e meio na Fiat, sempre na área da engenharia.

Chegamos a ter 432 funcionários sendo mais de cem engenheiros. Fiz estágios no exterior e viagens por vários países sempre com um lema: não parar nunca na primeira dúvida ou revés.

Foram anos de muito trabalho. Sempre com organização, respeito às pessoas, dar oportunidades a elas, valorizando nossa área de engenharia. Sem empirismo e com muito estudo.

Comecei em 1982 na Fiat, onde tive a oportunidade de entrar em uma área de testes (Experimentação de Veículos) e que era promissora e exigia certo conhecimento de veículos e suas partes. A empresa sempre investiu na nossa carreira, e isso nos estimulou a aprender cada vez mais.

Tive ótimos mestres ,dedicados e aproveitei oportunidades que me foram dadas sempre galgando novas posições. Tive também chance de aprender italiano e trabalhar na Itália, junto à nossa sede de engenharia na época.

A empresa sempre investiu em novos projetos e também nas pessoas, o que fez desenvolver em Minas Gerais uma das maiores áreas de engenharia automobilística do Brasil.

Ao nos associamos à Chrysler, em 2014, vimos nosso horizonte se expandir ainda mais. Tivemos um sucesso enorme, pois várias das atividades que fizemos foram acompanhar testes com os norte-americanos participando ativamente.

Foi uma excelente troca entre Estados Unidos e Betim, com trabalhos interligados e avanço das tecnologias de teste. Desenvolvemos toda uma estrutura para criação, projeto, cálculos, prototipagem, testes virtuais e nos veículos. Tudo isto na sede da nossa engenharia, em Betim.

Esta engenharia hoje comandada pelo Márcio Tonani, também uma das pessoas que mais contribuiu para esse crescimento da Fiat aqui na América do Sul. Importante lembrar que desenvolvemos também os veículos que vão para toda América do Sul e México. Além de vários outros mercados ao redor do mundo.

Tivemos também, com a criação da Stellantis, as atividades ligadas ao desenvolvimento dos modelos da antiga Peugeot-Citroën (PSA) para o mercado brasileiros, tudo também a partir da fábrica em Betim.

Assim, após de quase 40 anos de atividade em Betim, só tenho que agradecer à Fiat por tudo o que fez por nós, por Betim, por Minas Gerais e pelo nosso Brasil. Sigo ligado à Fiat por meio dos carros antigos e suas histórias.