INOVAÇÕES

Fiat Strada e Brava mudaram conceitos no mercado automotivo; entenda

Picape estreou cabine estendida e trouxe outra série de inovações para o segmento; já o Fiat Brava virou o primeiro carro nacional vendido pela internet

Por Igor Veiga

Publicado em 15 de julho de 2026 | 08:00

 
 
Fiat Strada chegou ao mercado em 1998 dando início a uma revolução no segmento Fiat Strada chegou ao mercado em 1998 dando início a uma revolução no segmento Foto: Stellantis/Divulgação

O ano de 1999 foi um marco para o mercado automotivo nacional devido a duas inovações da Fiat. Um deles, foi a Strada, que estreou a cabine estendida no segmento de picapes leves. Já o outro foi o Brava, que se tornou o primeiro veículo nacional vendido pela internet.

Foi quando a Fiat provou já estar madura o bastante para mexer simultaneamente em arquitetura de carroceria e experiência de compra de seus modelos no país. Nesta fase, com mais de 20 anos de estrada pavimentada por aqui, a Fiat não tentava apenas lançar modelos competitivos, mas também abrir novas soluções de uso e testar novos canais com o consumidor brasileiro.

Fiat Strada saiu na frente

Lançada em 1998, a Fiat Strada rapidamente ganhou importância estratégica para a marca italiana. A picape desempenhou papel central no mercado brasileiro desde sua estreia, sempre marcada por inovações e pela capacidade de acompanhar as transformações da mobilidade.

O passo decisivo dessa primeira fase veio em 1999, quando a Strada se tornou a primeira picape do segmento com cabine estendida. Essa solução ampliava o espaço interno e a versatilidade do veículo, alterando a lógica de uma categoria que até então priorizava quase exclusivamente robustez e uso profissional.

Não era apenas um detalhe estético. Ao alongar a cabine e criar uma área adicional protegida atrás dos bancos, a Fiat oferecia ao consumidor um meio-termo muito mais inteligente entre carro de trabalho e veículo de uso misto, algo que faria enorme diferença para o sucesso do modelo nos anos seguintes.

Cabine estendida mudou a lógica da picape leve

A importância da cabine estendida está justamente em sua utilidade prática. A própria Fiat ressalta que essa configuração proporcionava maior espaço interno e permitia transportar e guardar bagagem com mais segurança, qualidades que ajudavam a tirar a picape do papel estritamente de modelo voltada ao trabalho.

O segmento de picapes leves, até então, era muito associado a caçamba, carga e simplicidade. Com a cabine estendida, a Fiat passou a oferecer um produto que continuava útil para o trabalho, mas que também fazia mais sentido para quem precisava conciliar rotina profissional, deslocamentos urbanos e algum conforto extra.

Com isso, a Fiat inaugurou um novo padrão de versatilidade nas picapes. A solução ampliou o conforto dos ocupantes e criou um novo patamar na categoria, leitura que combina bem com o histórico posterior da Strada, sempre associada a evoluções de conceito como cabine dupla e terceira porta.

Strada virou plataforma de inovação contínua

O mais interessante é que a cabine estendida não foi um lampejo isolado. A Strada cabine estendida veio em 1999, a cabine dupla, em 2009 e a terceira porta, na Strada 2013, todas elas foram marcos sucessivos de uma mesma trajetória de inovação da picape, que segue fazendo sucesso. Basta dizer que a Strada foi o veículo mais vendido do Brasil dos últimos 5 anos.

No ano passado, a Strada havia alcançado 2,5 milhões de unidades produzidas em Betim, consolidando uma relevância que começou justamente naquela virada de conceito do fim dos anos 1990. Além desse volume histórico acumulado desde o seu lançamento, a fabricante celebrou em fevereiro deste ano outro marco. A atual geração do modelo, a Nova Fiat Strada, superou a marca de 850 mil unidades produzidas desde 2020.

Brava levou a Fiat para a venda digital

Se a Strada mexeu no produto, o Brava mexeu na forma de vender carro. Antes da virada do milênio, o hatch da Fiat foi o primeiro automóvel nacional vendido pela internet, introduzindo o comércio eletrônico no setor automotivo com foco em mais comodidade ao consumidor.

Ao escolher o Brava para inaugurar esse canal, a Fiat mostrava que enxergava a digitalização não como curiosidade periférica, mas como possível extensão da experiência de compra automotiva. Era um desdobramento coerente de uma inquietação que a marca já havia demonstrado em 1994 com o Mille On Line, sistema pioneiro de encomenda eletrônica. 

Venda pela internet parecia coisa distante

Hoje, a ideia de configurar e comprar um carro por meios digitais é a rotina, mas no fim dos anos 1990 isso estava longe disso. A iniciativa da venda digital do Fiat Brava representava uma quebra de paradigma em um setor altamente dependente da visita física à concessionária, da negociação presencial e de uma jornada de compra nem sempre transparente.

Ao lançar o Brava nesse formato, a Fiat testava algo que ainda não tinha escala, mas tinha potencial. A marca passava a tratar a internet como ferramenta real de negócios, não apenas como vitrine institucional, aproximando produto e consumidor de uma maneira muito avançada para o contexto brasileiro daquele momento.