POLÍCIA CIVIL

Betim é alvo de operação contra organização criminosa; R$ 7,7 mi são bloqueados

Ação cumpriu dois mandados de prisão e 12 de busca e apreensão em cinco cidades da Região Metropolitana de BH contra grupo investigado

Por Vitor Fórneas

Publicado em 02 de julho de 2026 | 16:13

 
 
Organização criminosa é investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão e agiotagem Organização criminosa é investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão e agiotagem Foto: PCMG/Divulgação

Betim foi uma das cidades onde a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) cumpriu, nesta quinta-feira (2/7), mandados da operação Cortina Digital, que investiga uma organização criminosa suspeita de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão e agiotagem na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão e 12 de busca e apreensão, além do sequestro de bens e do bloqueio de mais de R$ 7,7 milhões em contas bancárias ligadas ao grupo. As ordens judiciais também foram executadas em Belo Horizonte, Contagem, Ribeirão das Neves e Santa Luzia.

A operação foi coordenada pela Delegacia Regional de Venda Nova. De acordo com o delegado Domiciano Monteiro, as investigações tiveram início há cerca de três meses, após a identificação de publicações feitas por dois dos investigados nas redes sociais.

"Eles ostentavam veículos de alto padrão e muito dinheiro em espécie. A partir daí, foi realizado o monitoramento dessa organização criminosa", explicou o delegado.

Os dois principais alvos da operação são irmãos, de 37 e 40 anos, apontados como responsáveis por estruturar uma rede de lavagem de capitais para dar aparência lícita aos recursos obtidos com atividades criminosas. Conforme a Polícia Civil, a organização controlava o tráfico de drogas em bairros da região Norte de Belo Horizonte e em Ribeirão das Neves.

Para justificar o patrimônio acumulado, os suspeitos se apresentavam na internet como criadores de conteúdo. "Os investigados se passavam por influenciadores digitais em redes sociais, onde demonstravam veículos de luxo e muito dinheiro", destacou o delegado.

Estrutura financeira e apreensões

Segundo a Polícia Civil, a organização utilizava uma complexa rede para ocultar a origem dos recursos. "Essa rede de lavagem de dinheiro contava com empresas de fachada e dezenas de pessoas que, em sua maioria, operavam com esquema de zeramento diário de saldo após saques bancários em espécie", revelou Monteiro.

As investigações apontam que o grupo movimentou milhões de reais em poucos meses.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam diversos bens de alto padrão, entre eles duas BMW, um Audi, duas motos aquáticas e duas caminhonetes Toyota Hilux.

Histórico criminal e agiotagem

Os investigados já possuem passagens por crimes como homicídio, tráfico de drogas e extorsão. De acordo com as autoridades, o grupo também expandiu sua atuação para a prática de agiotagem.

A atividade foi identificada por meio de análises financeiras e telemáticas. "As investigações puderam confirmar isso através de mensagens que eram atreladas a transações Pix, onde várias pessoas faziam a menção de que estavam pagando juros através daquelas transferências", afirmou o delegado.

Os presos e os materiais apreendidos foram encaminhados à delegacia para a continuidade dos procedimentos de polícia judiciária.