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Jovem afirma ter sido atropelada e vítima de intolerância religiosa em Betim

Mãe relatou o caso, que ocorreu no último fim de semana, no Jardim Nazareno, nas redes sociais

Por Lisley Alvarenga


Publicado em 22 de julho de 2026 | 10:07
 
 
Episódio aconteceu na rua José Coimbra, no bairro Jardim Nazareno, em Betim, na noite do último sábado (18)

Uma jovem de 19 anos afirma ter sido atropelada, perseguida e agredida por dois homens, sendo um deles vizinho da família, durante um ato religioso ligado à Umbanda. A mãe da vítima, Maria Santana Cruz Alves, conhecida como Tânia, denunciou o caso nas redes sociais e acredita que a motivação tenha sido intolerância religiosa. O episódio aconteceu na rua José Coimbra, no bairro Jardim Nazareno, em Betim, na noite do último sábado (18/7). A jovem passou por exame de corpo de delito na manhã de segunda-feira (20/7), mas o laudo ainda não foi concluído.  

Veja o relato:

Segundo o relato da jovem registrado no boletim de ocorrência, ela estava acompanhada da prima, de 14 anos, nas proximidades da residência da família, quando uma caminhonete Ford Courier prata passou pelo local. Ela afirma que o motorista teria direcionado o veículo contra ela, que foi atingida, caiu ao chão, bateu a cabeça e sofreu lesões pelo corpo.  

Ainda conforme o boletim, um dos passageiros desceu da caminhonete com uma pá e tentou agredir as duas adolescentes. Elas declararam que conseguiram fugir correndo. A adolescente de 14 anos também afirmou ter sofrido ferimentos e ter tido o celular danificado durante a confusão. A jovem de 19 anos foi socorrida e encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Teresópolis.  
O advogado da família, Pablo Coleta, informou que acompanha o caso a pedido da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB Betim e da Associação dos Povos de Terreiro. Segundo ele, as jovens realizavam uma prática religiosa e, além do atropelamento, objetos utilizados no ritual teriam sido danificados durante a ação. O advogado também afirmou que acompanhou a vítima ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização do exame de corpo de delito e que a jovem apresenta ferimentos decorrentes do atropelamento, além de abalo psicológico.  

Em vídeo divulgado nas redes sociais, a mãe da jovem disse que a família está profundamente abalada com o episódio. "Foi uma situação grave de intolerância religiosa, de tentativa de assassinato. Algo que deixou a minha família extremamente abalada e a minha filha muito abalada", afirmou Tânia.   
Segundo a mãe, antes do atropelamento, os ocupantes do veículo teriam feito ofensas relacionadas à religião da filha e da sobrinha. "Quando gritam que ali não é lugar de macumbeiro e jogam um carro para cima de uma jovem, eles assumem o risco de matar", declarou.   

A mãe contou ainda que a filha sofreu luxações na coluna e nas costelas, além de ter batido a cabeça durante a queda. "Ela levantou e saiu correndo. Eles foram atrás dela com a pá. Já tenho a placa do carro, já tenho os nomes e tenho as filmagens. Isso não vai ficar impune", disse.  

Coleta também criticou a forma como a ocorrência foi inicialmente registrada pela Polícia Militar. De acordo com o advogado, o boletim de ocorrência foi confeccionado como um acidente de trânsito, sem considerar os elementos que, na avaliação da defesa, apontariam para um possível caso de intolerância religiosa. Ele afirmou que procurou a Polícia Civil para solicitar a retificação do registro e defendeu que o caso seja investigado sob essa perspectiva. 

A reportagem de O TEMPO Betim tentou contato com os homens, mas não teve retorno.