Delegado Otávio apresentou detalhes da investigação conduzida pela Polícia Civil sobre o caso
Foto: Brandon Santos
Delegado Otávio apresentou detalhes da investigação conduzida pela Polícia Civil sobre o caso
Foto: Brandon Santos
Após concluir o inquérito sobre a morte do mecânico Carlos Alberto dos Santos, o Gaiola, indiciando o terceiro-sargento reformado da Marinha Guilherme Augusto Rodrigues Martins, de 34 anos, por homicídio qualificado e a mãe dele, Joselí Rodrigues Nascimento, por omissão, a Polícia Civil pediu a internação provisória do investigado. Isso porque Guilherme foi interditado pela Justiça em 2021 a pedido da mãe diante de um diagnóstico de esquizofrenia do filho. Durante a investigação policial, porém, a defesa do investigado não apresentou qualquer laudo que apontasse esse diagnóstico.
Em entrevista concedida nesta quarta-feira (29/7), o titular da Delegacia de Homicídios de Betim, Otávio Luiz de Carvalho, responsável pela investigação do caso, explicou que o investigado apresentou uma versão considerada falsa, alegando ter agido em legítima defesa após ser atacado pela vítima com uma faca. Porém, segundo o delegado, as imagens das câmeras de segurança mostram que a vítima ainda estava dentro do carro quando foi abordada pelo agora indiciado, que desferiu um soco no rosto de Gaiola. Ainda de acordo com as imagens, detalhou o policial, após uma breve luta corporal, Guilherme sacou um revólver calibre .22 e efetuou cinco disparos. Três tiros atingiram o mecânico, na mandíbula, no abdômen e no braço esquerdo. Gaiola chegou a ser socorrido ao Hospital Regional, mas não resistiu aos ferimentos.
A investigação apontou que o suspeito vinha intimidando a vítima e outros moradores do condomínio havia meses. Entre os episódios registrados estão invasões à residência de Gaiola, destruição de uma plantação, danos no muro e no portão eletrônico da casa, além de ameaças constantes. Segundo o delegado, testemunhas relataram que Guilherme costumava circular armado com foice e machadinha e efetuava disparos para intimidar vizinhos.
Durante a investigação, a Polícia Civil localizou três registros de boletim de ocorrência da vítima contra o autor. Segundo o delegado Otávio, o homem ainda havia atirado contra o cachorro de um vizinho, que teve uma de suas patas amputadas.
Histórico
A Polícia Civil também confirmou que o investigado já havia cometido outro homicídio, em 2014, no Distrito Federal. Na ocasião, ele matou um homem com golpes de espada dentro de um ônibus, na presença dos filhos da vítima, de 5 e 12 anos. Na época, foi considerado inimputável pela Justiça em razão de transtorno mental.
O delegado informou que, embora a mãe e a defesa afirmem que Guilherme é esquizofrênico e esteja interditado judicialmente, nenhum laudo médico foi apresentado à Polícia Civil. Segundo ele, a confirmação da condição psiquiátrica dependerá de exame de insanidade mental determinado pela Justiça.
Além do homicídio qualificado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, Guilherme também foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo. Segundo a investigação, o revólver utilizado no crime tinha a numeração raspada, não possuía registro e não poderia estar em posse do investigado, uma vez que é interditado judicialmente.
Mesmo sem o laudo que comprovaria o diagnóstico de esquizofrenia, a Polícia Civil solicitou a internação provisória do investigado em um hospital psiquiátrico. "É flagrante que ele tem periculosidade e não pode permanecer solto", afirmou o delegado. Atualmente, Guilherme está preso no presídio da Marinha no Rio de Janeiro. Ele foi encaminhado por determinação da Justiça por não haver instalações para a custódia de militares da instituição em Minas Gerais.
Quanto à mãe do investigado, Joselí Rodrigues Nascimento, de 54 anos, foi indiciada por omissão, pois, como curadora legal do filho, tinha conhecimento do histórico de violência, sabia que ele possuía uma arma de fogo, ameaçava vizinhos, efetuava disparos e andava armado pelas ruas, mas não tomou nenhuma providência para impedir novas agressões nem acionou as autoridades. Segundo o delegado, a mulher responderá em liberdade. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário.