SAÚDE

Anvisa alerta: canetas emagrecedoras do Paraguai não são equivalentes às do Brasil

Segundo agência, os testes que confirmaram presença de tirzepatida em medicamentos contrabandeados não avaliaram quantidade, contaminantes nem bioequivalência

Por Carla Chein


Publicado em 08 de julho de 2026 | 15:41
 
 
Agência alerta para os riscos à saúde do uso de canetas trazidas do Paraguai

Não há equivalência entre as canetas emagrecedoras contrabandeadas do Paraguai e os medicamentos registrados no Brasil. O alerta é feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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O comunicado da agência é divulgado depois que uma análise independente realizada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirmou que canetas emagrecedoras fabricadas no Paraguai e comercializadas como versões da tirzepatida contêm o mesmo princípio ativo do Mounjaro.

De acordo com a agência, a comprovação de equivalência entre dois medicamentos exige estudos específicos que vão além da identificação do princípio ativo. A Anvisa alerta que é necessário demonstrar que ambos possuem a mesma concentração, características físico-químicas e comportamento no organismo, incluindo a absorção pelo corpo, a concentração alcançada na corrente sanguínea e o tempo de eliminação.

Segundo a agência, esses estudos devem ser realizados em centros de bioequivalência credenciados, responsáveis por conduzir e avaliar todas as etapas clínicas, analíticas e estatísticas necessárias para essa comprovação.

O que os testes da Unicamp avaliaram

De acordo com a Anvisa, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp (CIATox) realizou apenas análises para verificar a presença, a concentração e a estrutura molecular do princípio ativo tirzepatida em medicamentos contrabandeados.

A Anvisa ressalta que o CIATox não é um centro de bioequivalência credenciado no Brasil e também não integra a Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde. Por isso, os testes realizados não permitem concluir que os produtos sejam equivalentes aos medicamentos aprovados pela agência.

Princípio ativo apenas

A agência ressalta que as análises apenas confirmaram a presença do princípio ativo nos frascos. Não foram realizados testes para identificar impurezas, contaminantes, degradação do produto, esterilidade, presença de metais pesados ou outros fatores que influenciam a qualidade e a segurança do medicamento.

Além disso, a Anvisa destaca que o estudo não avaliou a biodisponibilidade, considerada a principal informação para determinar se um medicamento apresenta o mesmo desempenho terapêutico de outro.

Registro exige ampla avaliação de qualidade, eficácia e segurança
A agência explica que o processo de registro de um medicamento envolve uma avaliação ampla da qualidade, eficácia e segurança do produto. Entre as exigências estão informações detalhadas sobre formulação, caracterização, impurezas, especificações, controle de qualidade, validação dos métodos analíticos, processo de fabricação e estudos clínicos.

Segundo a Anvisa, uma análise laboratorial isolada, sem acesso às informações técnicas do fabricante — como processo de síntese, perfil de degradação e possíveis impurezas — não é suficiente para comprovar a qualidade do medicamento.

Impurezas não foram avaliadas

A agência também ressalta que métodos laboratoriais não identificam automaticamente todas as impurezas. Antes da realização dos testes, é necessário definir quais contaminantes podem estar presentes para desenvolver e validar métodos capazes de detectá-los.

Outro ponto destacado é que as empresas responsáveis pelos produtos analisados pela Unicamp não tiveram suas linhas de produção inspecionadas nem avaliadas quanto ao cumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF). Segundo a Anvisa, essa certificação é uma etapa essencial para garantir a qualidade dos medicamentos e não foi verificada no caso dos produtos contrabandeados.