Atualmente, cerca de 50 famílias indígenas – aproximadamente 280 pessoas – vivem na ocupação, chamada Terra Mãe
Foto: Carolina Miranda
Atualmente, cerca de 50 famílias indígenas – aproximadamente 280 pessoas – vivem na ocupação, chamada Terra Mãe
Foto: Carolina Miranda
As circunstâncias da morte de um indígena Warao, de 75 anos, ocorrida em 30 de junho, no Hospital Público Regional de Betim, são questionadas pelo médico voluntário Cícero Augusto, que acompanha a comunidade Terra Mãe, que vive em uma ocupação em um terreno particular no PTB, em Betim. Segundo ele, o óbito do idoso pode estar relacionado a um suposto surto de varicela (catapora) que teria sido identificado na comunidade. A prefeitura informou que a causa da morte do idoso está sendo investigada.
"Acredito que a varicela tenha contribuído para o agravamento do quadro de saúde do idoso, seja como causa principal, fator desencadeante ou condição associada às complicações que levaram à morte. Contudo, a confirmação da causa depende de investigação técnica”, explicou Cícero.
Em um documento que o médico diz ter elaborado e que, segundo ele, será encaminhado ao Ministério Público, à Secretaria de Saúde de Betim, à Vigilância Epidemiológica estadual e ao Conselho Regional de Medicina, Cícero declarou que o idoso indígena foi internado apresentando lesões na pele e na boca, as quais teriam evoluído durante a internação. “O quadro clínico evoluiu para sepse e abdome agudo, com necessidade de cirurgia. Familiares dele me relatam, inclusive, que o idoso apresentava múltiplas lesões pelo corpo, compatíveis com o quadro descrito em outros moradores da comunidade durante o surto”, detalha o médico.
De acordo com o médico, o suposto surto de varicela teria sido identificado na comunidade Warao em 1º de junho, quando teriam sido registrados ao menos três casos compatíveis com a infecção na comunidade. Ele afirmou que, na ocasião, a prefeitura teria iniciado a vacinação de bloqueio em parte da população indígena.
“A esposa do indígena, também idosa, e uma filha do casal apresentaram lesões compatíveis com varicela um dia após a morte dele, o que, na minha avaliação, pode indicar que a transmissão da doença ainda permanece ativa na comunidade”, afirmou Cícero.
Atualmente, sete indígenas Warao encontram-se internados na rede de saúde pública de Betim, sendo três deles no Hospital Regional (um na clínica médica e dois na pediatria) e quatro no Centro Materno-Infantil, sendo duas puérperas acompanhadas de seus recém-nascidos.
Por meio de nota, a prefeitura informou que, a declaração de óbito do idoso indígena registra como causas da morte insuficiência renal, peritonite (inflamação do peritônio, a fina membrana que reveste a parede interna do abdômen e recobre os órgãos) e choque séptico. No entanto, o município declarou que o caso está sob apuração do Comitê de Mortalidade e que a possível relação do óbito com a varicela (catapora) somente poderá ser confirmada após a conclusão da investigação.
“O resultado do exame laboratorial específico para varicela, coletado em 30 de junho de 2026 (após o falecimento), segue em análise pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) e ainda não foi concluído”, informou a nota.
A prefeitura confirmou que o idoso, a esposa e a filha dele foram notificados para varicela e ressaltou que, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, a notificação da doença em âmbito nacional é obrigatória apenas em casos graves (que demandam internação), óbitos e surtos. “Em virtude do surto, os casos suspeitos para varicela, mesmo sem complicações, estão sendo notificados individualmente na comunidade Warao”, diz a nota oficial.
No último dia 8 de junho, o município decretou situação de emergência na comunidade, dias depois de uma bebê indígena da etnia ter falecido, em 28 de maio, vítima de desnutrição e desidratação severas.
Publicado com validade de 180 dias, o Decreto nº 53.281 autoriza a adoção de ações emergenciais nas áreas de assistência social, saúde, educação, habitação, segurança alimentar e proteção social. O documento também permite contratações e aquisições emergenciais nos casos previstos pela legislação federal.
Entre as iniciativas já executadas pelo município, estão a distribuição de lonas, cobertores e cestas básicas, atendimento médico, vacinação e o encaminhamento de crianças e adolescentes para matrícula na rede municipal de ensino.
Além das medidas previstas no decreto, a prefeitura informou que realizou recentemente melhorias na infraestrutura da comunidade, como a instalação de postes de energia elétrica, contêineres para coleta de lixo, banheiros e bebedouros.