
'Um sonho de liberdade'. É este o poema criado por Geraldo da Silva Santos, o Lapinha, resumindo sua trajetória de vida. O empresário morreu aos 100 anos em casa, em Betim, nesse sábado (1º/8). Ele também foi fundador da Rádio Capela Nova, que anos depois veio a se tornar a Rádio Liberdade.
De acordo com o terceiro, dos oito filhos, Antônio Carlos da Silva, conhecido como Tonho Lapinha, o poema nasceu de uma brincadeira, durante uma reunião informal de família em um domingo.
Um papel, uma caneta, e o sentimento de quem marcou a história de uma cidade foram expostos em palavras singelas e emocionantes. O texto foi escrito há cerca de 15 anos.
"Por mais simples que sejam as palavras, ele resumiu de forma despretensiosa toda a trajetória de vida dele até aquele momento. Meu pai era um homem de muita inspiração e muita inteligência", afirma.
Ele destacou que o poema foi uma forma do pai eternizar sua vida para os netos e bisnetos, e que acabou se tornando um quadro na loja de móveis no Centro, na Rádio Liberdade e em outros locais. "Na época minha irmã mandou imprimir o poema com uma foto dele", conta.
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Tonho destacou que no domingo de hoje, um dia após a família do pai, a família seguiu com a tradição de se reunir para almoçar na casa do patriarca. Segundo ele, o sentimento geral era de nostalgia e gratidão por terem vivido tanto tempo ao lado do pai.
"Nos encontramos da mesma forma, como se ele e minha mãe ainda estivessem lá (Maria Teresinha, que faleceu em 2023, aos 93 anos). Cheguei por volta das 7h e já tinha uns três irmãos fazendo o mesmo. Andávamos pelos locais onde ele costumava ficar e ficávamos lembrando os melhores momentos. Ninguém se lastimando. Vamos continuar com essa tradição para que a história dele sempre permaneça viva.", completou.
Para ele, o legado principal do pai é o de humildade e simplicidade. "Acho que nunca vi uma pessoa tão sábia. Ele sempre pregou a todos nós sobre tratar a todos bem, sem olhar a quem, como se aquela pessoa fosse a mais importante do mundo. Foi um privilégio viver tão intensamente ao lado dele por tantos anos", concluiu.
"Em cima de uma bicicleta
comprei uma motocicleta pra trabalhar.
Da carpintaria fiz uma loja
pra minha família eu sustentar.
Da caminhonete eu fiz meu rancho,
pra pescar e descansar.
Com calos nas mãos trabalhei muito,
pra chamar Tonico e Tinoco pra cantar e encantar.
Com minha esposa e meus oito filhos comecei a aprumar.
Montei uma rádio e hoje os grande nomes da musica vêm me cumprimentar.
Trabalho ate hoje,
pois tenho saúde e sonhos a realizar.
Meus netos crescidos e bisnetos crescendo...
Ah! Que felicidade me dá!
Mas paro por aqui,
pois tenho que voltar a trabalhar.
Depois vou pro meu ranchinho,
pra poder pescar e descansar."
Geraldo Lapinha
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