RISCO DE CONTAMINAÇÃO

Estudantes são picados com agulhas dentro de escola estadual em Betim

Ao menos 14 alunos foram 'furados' por um colega que teria recebido as agulhas de outra aluna; caso gerou polêmica por conta do risco de contaminação por HIV

Por Marcio Antunes

Publicado em 28 de agosto de 2026 | 21:27

 
 
Caso aconteceu na quarta-feira (26/8), e alunos foram encaminhados para atendimento médico Caso aconteceu na quarta-feira (26/8), e alunos foram encaminhados para atendimento médico Foto: Brandon Santos

Ao menos 14 estudantes da Escola Estadual Professor Carlos Lúcio de Assis, no bairro Jardim Petrópolis, em Betim, foram picados com agulhas dentro da unidade de ensino. Os instrumentos teriam sido levados por uma aluna da escola, que teria entregado o material a um colega. O caso aconteceu na quarta-feira (26/8) e gerou polêmica sobretudo por conta do risco de contaminação por HIV.   

Segundo o estudante ouvido pela reportagem, que pediu para não ser identificado, ele acompanhava um amigo quando uma aluna abriu uma mochila e retirou cerca de 20 agulhas. Parte do material teria sido entregue a outro aluno, que então passou a picar colegas sob o argumento de que as agulhas serviam para fazer tatuagem. O aluno ouvido pela reportagem afirmou ter sido o primeiro a ser picado. Na sequência, ao menos mais 13 estudantes foram alvos.  

Questionada, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) informou que houve uma ocorrência envolvendo o uso inadequado de um kit de agulhas utilizado para medição de glicose entre estudantes. A pasta, porém, não informou quantos alunos teriam sido atingidos. 

A pasta disse que a direção da Escola Estadual Professor Carlos Lúcio de Assis “adotou imediatamente as providências cabíveis ao tomar conhecimento da ocorrência”. A SEE esclareceu ainda que não houve nenhuma confirmação de contaminação por HIV em decorrência do ocorrido. 

Ainda de acordo com a nota, a direção convocou os responsáveis pelos estudantes para tratar do caso, comunicou o Conselho Tutelar e orientou as famílias a encaminharem os alunos para atendimento em unidade de saúde. 

A Secretaria Municipal de Saúde também foi acionada pela reportagem. A pasta informou que orientou o encaminhamento dos adolescentes envolvidos para avaliação imediata na UPA Guanabara, unidade de referência para o território. Ainda de acordo com o órgão, as demais UPAs também foram comunicadas para garantir o acolhimento e a avaliação dos estudantes. Poderão ser indicados exames, atualização vacinal e outras medidas preventivas, incluindo a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para HIV. 

O estudante ouvido pela reportagem afirmou ter feito exame nessa quinta-feira (27) e disse que não foi à escola nesta sexta-feira (28). Segundo ele, outros colegas também teriam procurado atendimento médico e alguns estariam utilizando medicamentos preventivos. “Tem alguns alunos que foram lá fazer os exames para não dar HIV com a transmissão do sangue. Tem gente que está agora tomando um remédio”, relatou. 

A Secretaria Municipal de Saúde não informou quantos estudantes foram atendidos nem quantos receberam medicamentos preventivos. Segundo a nota da pasta, as informações relacionadas aos estudantes são tratadas de forma sigilosa com o objetivo de preservar a intimidade e os direitos dos adolescentes.

Com Nelson Batista