Escassez de mão de obra tem tem sido um problema recorrente no município
Foto: Editoria de Arte/O TEMPO
Escassez de mão de obra tem tem sido um problema recorrente no município
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Encontrar mão de obra tem sido uma tarefa difícil para empresários e comerciantes de diferentes segmentos em Betim. A elevada oferta de vagas – percebida pelos múltiplos cartazes afixados nas fachadas dos estabelecimentos – contrasta com a escassez de candidatos interessados em assumir os postos de trabalho. Gerente de uma loja de móveis no Centro, Sávio da Silva afirma que nem os benefícios ofertados nem a escala reduzida aos sábados têm conquistado candidatos. “Aqui, na loja, exigimos ensino médio completo ou saber ler e escrever, dependendo da função que for desempenhada. Mas até a régua da contratação a gente está tendo que diminuir para conseguir mão de obra”, diz.
Em uma padaria no Vargem das Flores, o anúncio de vagas até atrai pretendentes, mas o tempo de permanência deles é curto. “As pessoas vêm, entregam currículos e fazem entrevista. Mas, depois que chamamos, elas ficam no emprego por uma semana e vão embora. Temos que ter sempre currículos nas mãos porque as pessoas não ficam”, pontua o proprietário, José dos Santos.
A supervisora de uma loja de telefonia móvel no Centro também vem encontrando dificuldade para conseguir contratar funcionários. Na avaliação de Glaucely Xavier, tem faltado, sobretudo, comprometimento. Outro fator apontado por ela para o desinteresse no mercado de trabalho formal é a internet. “As pessoas têm uma ilusão muito grande de que vão ganhar dinheiro com lives em plataformas como TikTok, por exemplo. A internet é uma aliada nossa, sem dúvida, mas é preciso entender bem e saber exatamente o que se quer”, pondera.
A diretora de relacionamento empresarial da antiga Aciabe e atual Associação Comercial e Empresarial de Betim (ACE), Márcia Werneck, ressalta que as pequenas empresas são as que mais têm enfrentado dificuldades para contratar e reter profissionais atualmente. “O setor que mais tem procurado a ACE em busca de apoio é o comércio, que vem sentindo de forma mais intensa a falta de mão de obra”, afirma.
De acordo com Márcia, um dos principais motivos para a dificuldade de contratação é a migração dos trabalhadores para o setor de serviços, principalmente atividades como motoristas de aplicativos e entregadores. “Em geral, essas pessoas percebem que conseguem uma remuneração melhor, maior flexibilidade de horários e a possibilidade de exercer outras atividades que também geram renda”.
Já o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Betim, José Barboza, atribui às políticas assistencialistas a escassez de mão de obra. “A situação está muito difícil. Todo mundo que a gente encontra alega que aceita a vaga somente se não for ‘fichado’ para não perder o Bolsa Família”, afirma o dirigente.
Ainda segundo Barboza, a CDL Betim mantém um banco de currículos, o CDL Vagas, para atender tanto os lojistas quanto as pessoas que quiserem trabalhar. “Mas não aparecem interessados, e, aí, temos mais oferta do que demanda”, conclui.
Com demandas recorrentes por funcionários – tanto para vagas fixas quanto para temporárias –, proprietários de bares e restaurantes da cidade, sobretudo os da rua do Rosário, no Angola, vêm recorrendo uns aos outros para conseguir preencher postos de trabalho. Em grupos de mensagens, eles pedem indicações e também divulgam a eventual disponibilidade de profissionais. Embora essa não seja a única finalidade dos grupos, tem se tornado uma das principais. “Eles têm ajudado bastante nisso. Também indicamos serviços de manutenção de coifa, chapa, fogão e fritadeira, por exemplo, que são feitos por profissionais difíceis de se encontrar”, diz Marina Marques, proprietária de uma hamburgueria.
Dono de restaurante, Adelson Coelho conta que o espaço virtual também tem sido uma ferramenta importante para alertar sobre pessoas que não executam bem o trabalho. “Se eu contrato uma pessoa, e ela não é muito legal, aviso no grupo para que os outros possam se blindar”, detalha.
Já Bruno Neto, proprietário de uma pizzaria, afirma que deveria haver mais colaboração entre os gestores do ramo de alimentação do município. “O pessoal é muito desunido, não comenta muitas coisas”, lamenta.