AJUDE

ONG em Betim para autistas pede socorro para não fechar as portas

Casa Vovó Cunha, que funciona há cinco anos na região do São Caetano e acompanha hoje 110 crianças e adolescentes vulneráveis, enfrenta dívida de R$ 35 mil

Por Lisley Alvarenga

Publicado em 19 de setembro de 2026 | 09:00

 
 
Vânia da Cunha, idealizadora do local, pede a doação de roupas e artigos pra revender em bazar comunitário Vânia da Cunha, idealizadora do local, pede a doação de roupas e artigos pra revender em bazar comunitário Foto: Carolina Miranda

Uma porta que se fecha na avenida Tapajós, nº 767, no bairro São Cristóvão, não é apenas um endereço comercial a menos na região do São Caetano. Significa interromper o desenvolvimento de 110 crianças e adolescentes autistas, cancelar o amparo a centenas de famílias de diversas regiões de Betim e não atender a uma fila de espera que já passa de 200 pessoas. É diante desse cenário que a Casa do Autista Vovó Cunha faz um apelo urgente de solidariedade à população: a entidade enfrenta uma dívida acumulada em mais de R$ 35 mil e corre risco de encerrar suas atividades.

A solução encontrada por eles para reerguer a instituição passa pela arrecadação imediata de roupas, sapatos e peças de cama, mesa e banho. Todo o material doado é destinado ao bazar mantido pela instituição às sextas-feiras e aos sábados, mas que hoje se encontra quase sem estoque.

“Minha esperança são vocês. É a esperança da casa. Eu não preciso do dinheiro daqui, isso aqui é feito por amor. Só que a terceira conta de luz vence, e eu não tenho como pagar nenhuma. Fiz empréstimos consignados por meio da minha própria pensão para tentar cobrir o rombo, mas não é o suficiente”, desabafa a idealizadora do espaço, Vânia da Cunha, carinhosamente conhecida por todos como Vovó Cunha.

Do afeto ao desespero

A história do projeto nasceu há cinco anos, a partir de uma dor pessoal. Vânia não conhecia o Transtorno do Espectro Autista (TEA) até acompanhar de perto as dificuldades do neto, hoje com 14 anos. Um dia, após ele ter sido hostilizado no ambiente escolar, o menino perguntou à avó “o que precisava fazer para virar anjo, porque anjo ninguém vê”.

A fala do neto sensibilizou e mobilizou Vânia. Ela foi até a escola, exigiu adaptações inclusivas e, ao perceber a angústia de outras mães que passavam pelo mesmo dilema, tomou a decisão de vender seu apartamento, seu carro e um lote para estruturar o espaço de acolhimento.

Ao longo dos anos, a Casa do Autista Vovó Cunha cresceu e criou um atendimento multidisciplinar com um valor social de R$ 60 ou gratuito para famílias em situação de vulnerabilidade. Atualmente, o local conta com sete profissionais voluntários ou parceiros (dois psicólogos, duas psicanalistas, duas psicopedagogas e uma neuropsicóloga) e busca ainda agregar à equipe terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos. Além das consultas, a entidade distribui cestas básicas e medicamentos para famílias sem condições financeiras.

Como ajudar?

A Casa do Autista precisa de doações urgentes para abastecer seus bazares:

O que doar: roupas (femininas, masculinas e infantis), sapatos, agasalhos e itens de cama, mesa e banho em bom estado

Onde entregar: avenida Tapajós, nº 767, no bairro São Cristóvão (região do São Caetano)

Informações: (31) 3160-1640