Vânia da Cunha, idealizadora do local, pede a doação de roupas e artigos pra revender em bazar comunitário
Foto: Carolina Miranda
Vânia da Cunha, idealizadora do local, pede a doação de roupas e artigos pra revender em bazar comunitário
Foto: Carolina Miranda
Uma porta que se fecha na avenida Tapajós, nº 767, no bairro São Cristóvão, não é apenas um endereço comercial a menos na região do São Caetano. Significa interromper o desenvolvimento de 110 crianças e adolescentes autistas, cancelar o amparo a centenas de famílias de diversas regiões de Betim e não atender a uma fila de espera que já passa de 200 pessoas. É diante desse cenário que a Casa do Autista Vovó Cunha faz um apelo urgente de solidariedade à população: a entidade enfrenta uma dívida acumulada em mais de R$ 35 mil e corre risco de encerrar suas atividades.
A solução encontrada por eles para reerguer a instituição passa pela arrecadação imediata de roupas, sapatos e peças de cama, mesa e banho. Todo o material doado é destinado ao bazar mantido pela instituição às sextas-feiras e aos sábados, mas que hoje se encontra quase sem estoque.
“Minha esperança são vocês. É a esperança da casa. Eu não preciso do dinheiro daqui, isso aqui é feito por amor. Só que a terceira conta de luz vence, e eu não tenho como pagar nenhuma. Fiz empréstimos consignados por meio da minha própria pensão para tentar cobrir o rombo, mas não é o suficiente”, desabafa a idealizadora do espaço, Vânia da Cunha, carinhosamente conhecida por todos como Vovó Cunha.
A história do projeto nasceu há cinco anos, a partir de uma dor pessoal. Vânia não conhecia o Transtorno do Espectro Autista (TEA) até acompanhar de perto as dificuldades do neto, hoje com 14 anos. Um dia, após ele ter sido hostilizado no ambiente escolar, o menino perguntou à avó “o que precisava fazer para virar anjo, porque anjo ninguém vê”.
A fala do neto sensibilizou e mobilizou Vânia. Ela foi até a escola, exigiu adaptações inclusivas e, ao perceber a angústia de outras mães que passavam pelo mesmo dilema, tomou a decisão de vender seu apartamento, seu carro e um lote para estruturar o espaço de acolhimento.
Ao longo dos anos, a Casa do Autista Vovó Cunha cresceu e criou um atendimento multidisciplinar com um valor social de R$ 60 ou gratuito para famílias em situação de vulnerabilidade. Atualmente, o local conta com sete profissionais voluntários ou parceiros (dois psicólogos, duas psicanalistas, duas psicopedagogas e uma neuropsicóloga) e busca ainda agregar à equipe terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos. Além das consultas, a entidade distribui cestas básicas e medicamentos para famílias sem condições financeiras.
A Casa do Autista precisa de doações urgentes para abastecer seus bazares:
O que doar: roupas (femininas, masculinas e infantis), sapatos, agasalhos e itens de cama, mesa e banho em bom estado
Onde entregar: avenida Tapajós, nº 767, no bairro São Cristóvão (região do São Caetano)
Informações: (31) 3160-1640