Estreitamento de pista e bifurcação são apontados como possíveis causas de ocorrências na via
Foto: Brandon Santos
Estreitamento de pista e bifurcação são apontados como possíveis causas de ocorrências na via
Foto: Brandon Santos
Quem trafega pela BR–381 no sentido a Belo Horizonte provavelmente já se deparou com um acidente ou ao menos um congestionamento no trecho entre os KMs 493 e 489, das imediações do Partage Shopping até o viaduto do PTB. Uma das ocorrências mais recentes foi o tombamento de um caminhão próximo à bifurcação que separa a rodovia do acesso à Via Expressa, no feriado do último dia 7. O episódio ocorreu por volta das 9h20, mas, até as 13h50, os usuários ainda enfrentavam cerca de 5 km de lentidão.
Segundo a Motiva Minas_SP, concessionária que assumiu a gestão da Fernão Dias em abril último, entre janeiro e agosto deste ano, foram registradas 123 ocorrências no trecho, 26,8% a mais do que no mesmo período de 2025, quando o total chegou a 97. Ainda de acordo com a empresa, a maior parte dos atendimentos realizados pelas equipes operacionais nesse mesmo intervalo foi referente a colisões traseiras e laterais – os números deste ano não foram informados. O levantamento também aponta 37 ocorrências envolvendo motocicletas, o equivalente a cerca de um terço do total.
Além de caos no trânsito, os acidentes ocorridos nos oito primeiros meses de 2026 resultaram em 391 vítimas, sendo 262 ilesas, 94 levemente feridas, 24 com ferimentos moderados e sete em estado grave, além de quatro óbitos (média de um a cada dois meses), conforme foi informado pela Motiva Minas_SP.
Para quem utiliza a BR–381, o trecho entre os KMs 493 e 489 é, de fato, desafiador. Na avaliação do taxista José Geraldo Reis, o próprio traçado da via é um indicativo de conflito, sobretudo por conta do grande volume de veículos. “A gente vem numa velocidade e, quando chega naquela alça de transição com a Via Expressa, está tudo retido. Quem quer ir no sentido à Ceasa tem que sair para a esquerda, e quem quer ir para BH tem que ir para a direita”, pontua o taxista.
Já o motorista de ônibus Joel Costa afirma que não vê problemas na rodovia, mas, sim, no comportamento de motoristas. “Alguns são muito imprudentes quanto à distância de segurança. A fiscalização também é pouca, a gente percebe, mas o que mais vejo é imprudência”, diz Costa.
Em nota, a Motiva ressaltou que “a análise das ocorrências registradas no trecho indica predominância de colisões traseiras e laterais, tipos de acidentes frequentemente associados à distração ao volante, ao excesso ou incompatibilidade de velocidade e à redução do espaçamento entre veículos”. A concessionária afirmou ainda que “realiza continuamente campanhas educativas e de conscientização voltadas à segurança viária, com orientações presenciais a motoristas, distribuição de materiais educativos, mensagens nos painéis eletrônicos da rodovia e apoio a iniciativas nacionais, como o Maio Amarelo e a Semana Nacional do Trânsito”.
Uma das soluções propostas para desafogar o trânsito na BR–381 é o Rodoanel Intermunicipal, cujo projeto foi desenvolvido justamente para ser uma alternativa de conexão entre os principais eixos rodoviários da região metropolitana, conforme ressaltado pela engenheira civil e ex-secretária de Ordenamento Territorial e Habitação e de Desenvolvimento Urbano de Betim, Bárbara Gomes, que participou das discussões técnicas relacionadas ao traçado na gestão do ex-prefeito Vittorio Medioli (PL).
Segundo ela, grande parte dos fluxos provenientes das BRs 381, 262 e 040, bem como da MG–050, acaba convergindo para os mesmos corredores metropolitanos, sobrecarrega a Fernão Dias, o Anel Rodoviário e a Via Expressa, “misturando deslocamentos urbanos com um volume expressivo de tráfego de passagem e de cargas”. “Os estudos de tráfego desenvolvidos para o projeto indicam potencial de redução da ordem de 50% do volume hoje concentrado nos principais corredores metropolitanos. Uma redistribuição dessa magnitude teria reflexos não apenas sobre a BR–381, mas sobre o Anel Rodoviário, a Via Expressa e a BR–040, com impactos sobre os tempos de deslocamento, a logística de cargas e a própria capacidade operacional da infraestrutura existente”, sublinha Bárbara.
A engenheira destaca que, na configuração estudada atualmente para o Rodoanel Intermunicipal, estão previstos 61,5 km divididos em duas ligações. A alça Sul tem cerca de 32 km e parte da BR–381, em Betim, em direção à BR–040, na divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima, passando por Betim, Sarzedo, Ibirité e Belo Horizonte. Já a alça Norte tem aproximadamente 30 km e também sai da BR–381, em Betim, em direção à BR–040, na divisa entre Contagem e Ribeirão das Neves, passando por Betim e Contagem. “Esse trecho permite articular BR–381, BR–262, MG–050 e BR–040 e criar uma alternativa para o tráfego de longa distância, inclusive para os fluxos em direção ao vetor norte e a Brasília”, detalha Bárbara.
Motorista do transporte rodoviário de cargas há 40 anos – 15 deles em carreta –, Aristides Barbosa também é a favor do Rodoanel como uma alternativa para melhorar o fluxo na rodovia Fernão Dias. No entanto, ele se sente desesperançoso com a concretização da supervia. “Se tivesse como fazer um anel rodoviário para tirar um pouco dos caminhões do trânsito, melhorava pra gente também, mas acho difícil fazer isso aqui. Não tem espaço”, pondera o motorista.
O desânimo de Barbosa vai ao encontro de um impasse que envolve o projeto da supervia. O traçado inicialmente proposto pelo Estado foi rejeitado pelas prefeituras de Betim e Contagem por prever a passagem por áreas densamente povoadas nos dois municípios. Além disso, houve questionamentos sobre impactos ambientais. As duas administrações, então, apresentaram uma proposta alternativa, mas não houve consenso.
O início das obras de construção do Rodoanel foi vetado pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) após uma ação civil pública ajuizada pela Prefeitura de Contagem e pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais.