JUSTIÇA

Ex-delegado que atuou em Betim e que cumpria pena por feminicídio ganha liberdade definitiva

Geraldo do Amaral Toledo, de 54 anos, foi condenado a 18 anos e 9 meses; ele assassinou a ex-companheira, na época com 17 anos, com um tiro na cabeça

Por Raíssa Oliveira


Publicado em 22 de setembro de 2026 | 12:22
 
 
Amanda Linhares dos Santos, com quem Toledo mantinha um relacionamento amoroso, foi morta com um tiro na cabeça durante uma briga entre o casal

Sentenciado a 18 anos e 9 meses de reclusão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e fraude processual, o ex-delegado Geraldo do Amaral Toledo, de 54 anos, que já atuou em Betim, foi libertado. A confirmação da soltura do antigo policial civil foi publicada no "Diário Oficial de Minas".

Conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), a ordem judicial de libertação foi expedida em 12 de setembro. Antes de deixar o sistema prisional, ele foi transferido da unidade de Andradas, no Sul do estado, para o Ceresp de Contagem, onde permaneceu detido por 48 horas até a formalização do alvará.

O julgamento e a condenação

O desfecho judicial ocorreu em 2015, na comarca de Ouro Preto, sob a condução da juíza Lúcia de Fátima Magalhães Albuquerque Silva. Após três dias de sessões do júri popular, Toledo foi responsabilizado pela morte de sua companheira, a jovem Amanda Linhares dos Santos, de 17 anos.

Dinâmica do crime

O assassinato foi cometido em abril de 2013, durante uma discussão do casal em uma via de acesso entre Ouro Preto e a localidade de Lavras Novas. Amanda foi atingida por um disparo de arma de fogo na região da cabeça.

A defesa do réu sustentou a tese de suicídio, contudo, os exames periciais constataram a ausência de resíduos de pólvora nas mãos da vítima, desmistificando a versão. A adolescente permaneceu internada por 50 dias na capital mineira antes de falecer. Consta nos registros da Polícia Civil que a vítima já havia denunciado o ex-delegado por violência física um mês antes do atentado.

Perda do cargo público

Toledo teve sua expulsão do quadro da Polícia Civil oficializada no fim de 2013 pela Corregedoria do órgão, com aval do então governador Antonio Anastasia. O desligamento definitivo decorreu de uma punição administrativa por infrações severas cometidas quando ele chefiava a Delegacia de Trânsito de Betim, entre 2005 e 2007. As apurações comprovaram que ele violou normas legais ao autorizar o emplacamento e licenciamento irregular de duas motocicletas com numerações adulteradas.