DESDE 2021

Ex-delegado que atuou em Betim se tornou professor em escola estadual enquanto cumpria pena por matar namorada

Geraldo do Amaral Toledo foi efetivado pelo Estado e leciona História no Sul de Minas

Por Raíssa Oliveira e Lucas Gomes


Publicado em 22 de setembro de 2026 | 18:50
 
 
Geraldo atua como professor da educação básica no Estado desde 2021

Solto definitivamente há dez dias, o ex-delegado Geraldo do Amaral Toledo, de 54 anos, que atuou em Betim, condenado a 18 anos e 9 meses de prisão por matar a namorada, de 17, e por fraude processual, atua como professor da educação básica no Estado desde 2021. A informação consta no Portal da Transparência do governo de Minas. Os detalhes sobre o processo criminal e a execução de pena cumprida pelo ex-delegado são sigilosos.

Conforme apurou a reportagem de O TEMPO, Geraldo Toledo foi efetivado pelo Estado e leciona História na Escola Estadual Mendes de Oliveira, em Congonhal, no Sul de Minas, desde 2024. Contudo, o docente apresenta atestados médicos desde o fim de outubro do ano passado. Ele deveria retornar às atividades no último dia 17 de agosto, mas, desde então, é considerado ausente na escola.

Desde 2021, o ex-delegado já passou por escolas estaduais em Belo Horizonte, Pouso Alegre e São Lourenço, essas últimas duas cidades também no Sul de Minas. Como professor da educação básica, Geraldo Toledo recebe salário de aproximadamente R$ 4.000. Entre 2022 e 2023, ele trabalhou por apenas quatro meses.

Ao todo, como docente, o ex-delegado já recebeu mais de R$ 100 mil do Estado desde 2021. A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Educação e aguarda retorno.

O crime

O ex-delegado foi condenado em 2015 por matar a namorada Amanda Linhares dos Santos, de 17 anos. A sentença foi proferida pela juíza Lúcia de Fátima Magalhães Albuquerque Silva após três dias de julgamento em Ouro Preto, região Central de Minas.

O crime aconteceu em abril de 2013. Amanda Linhares dos Santos, com quem o réu mantinha um relacionamento amoroso, foi morta com um tiro na cabeça durante uma briga entre o casal, que ocorreu na estrada que liga Ouro Preto ao distrito de Lavras Novas.

Na época, Toledo alegou que a ex-namorada havia tentado se matar, mas as provas periciais derrubaram essa hipótese, uma vez que não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos da adolescente. A jovem morreu 50 dias depois em um hospital de Belo Horizonte.

Conforme informações da Polícia Civil, Amanda já havia registrado um boletim de ocorrência em março de 2013 contra o suspeito por agressão.

Demissão

O delegado foi exonerado do cargo de delegado em outubro de 2013, após pedido feito pela Corregedoria da Polícia Civil e aceito pelo governador Antonio Anastasia, até então governador do Estado.

Na época, a Polícia Civil informou que a corregedoria decidiu pela demissão de Toledo por transgressão disciplinar de natureza grave.

O processo foi baseado em fatos que ocorreram entre os anos de 2005 e 2007, período em que Toledo era o titular da Delegacia de Trânsito (Detran) de Betim.

As investigações confirmaram que ele teria contrariado normas existentes na legislação de trânsito, o que culminou no registro e licenciamento de duas motocicletas com motores e chassis com procedências irregulares.