SAMBA E RESPEITO

Aline Calixto transforma a Colônia Santa Isabel em palco de memória, axé e reparação

Cantora se apresenta neste domingo (25), no Concerto contra o Preconceito, ao lado da força dos blocos populares

Por Marcio Antunes

Publicado em 23 de janeiro de 2026 | 18:42

 
 
Cantora tem em seu currículo 6 discos e 1 DVD gravado ao vivo em BH
Cantora tem em seu currículo 6 discos e 1 DVD gravado ao vivo em BH Foto: Márcia Charnizon / Divulgação

Uma das grandes vozes do samba contemporâneo brasileiro, com carreira consolidada no Brasil e no exterior, Aline Calixto é a atração principal do Concerto contra o Preconceito, que acontece neste domingo (25), na Colônia Santa Isabel, em Betim.

A apresentação da cantora está marcada para as 21h, após o show do bloco Cueca do Avesso, de Citrolândia, que sobe ao palco ás 18h, em uma noite que une música, memória, diversidade e luta contra o estigma histórico do espaço.

Confira a entrevista exclusiva: 

1- O palco da Colônia Santa Isabel carrega décadas de luta contra o estigma. Qual é o peso emocional de cantar em um lugar onde a arte serve como ferramenta de reparação histórica?

Aline: cantar na Colônia Santa Isabel é muito especial porque  a gente pisa ali com a consciência de que, por décadas, aquele lugar, que foi sinônimo de isolamento e dor, hoje é palco da alegria, da arte, e agora, da catarse do carnaval. É como se cada nota musical ajudasse a curar uma ferida antiga, a ressignificar a memória. 


2- O Concerto já recebeu lendas como Ney Matogrosso e Paulinho da Viola. Como você enxerga essa democratização do palco, onde o ícone nacional e o artista local dividem a mesma importância?

Aline: é importante porque mostra que o valor da cultura não está, necessariamente, alinhado à hierarquia da fama. Há inúmeros talentos espalhados pelo Brasil afora, nem sempre com grande projeção, o que não quer dizer que não sejam de altíssima qualidade. É preciso que a gente aprenda a valorizar os artistas mineiros.


3- No mesmo dia, o Bloco Cueca do Avesso, do Citrolândia, também se apresentará na festa. Como você vê essa potência dos blocos de rua que estão transformando a cena cultural de BH, Betim e região?

Aline: os blocos de rua refletem a alma do nosso carnaval. Eles nascem da vontade do povo, da criatividade, e tomam as ruas de um jeito que é impossível ignorar. São os grandes agentes da descentralização da cultura, levando a festa para regiões em que antes não se imaginava contar com a oferta de arte acessível para todos, como em Citrolândia. Essa energia que vem da rua, do contato direto com o folião, é o que renova a nossa cena e fortalece nossa identidade e diversidade.


4- O que o público de Betim pode esperar desse 'esquenta'? Teremos algum spoiler exclusivo ou um repertório especial que só será visto aqui antes do desfile oficial de sábado de Carnaval?

Aline: com certeza! O público vai curtir, antecipadamente, boa parte do setlist que será apresentado na avenida em 2026. A cada ano, o Bloco da Calixto apresenta um novo tema, que permeia todo o repertório. 


5- Aline, por que o público não pode perder esse encontro na Colônia? Qual é a energia que a gente pode esperar de você nesse show?

Aline: a energia que eu vou levar é a do carnaval em sua forma mais pura, ou seja, de muita vibração, muito axé, muito suingue! Podem esperar um show com uma seleção musical que traz uma mistura já bem conhecida, mas que vai surpreender o público pelas novas formas que toma ao se adequar à linguagem carnavalesca. Não posso revelar tudo, mas garanto que vai fazer todo mundo cantar e dançar muito! Vai ser histórico, espero vocês!