Lançamento das ações de revalidação do registro ocorreu na Casa da Cultura, nesta quinta (5)
Foto: Carolina Miranda
Lançamento das ações de revalidação do registro ocorreu na Casa da Cultura, nesta quinta (5)
Foto: Carolina Miranda
Reconhecida como patrimônio cultural imaterial desde 2014, a capoeira de Betim passa agora por um processo de revalidação do registro. Nesta quinta-feira (5/2), o município deu início à construção do novo plano de salvaguarda – instrumento de planejamento coletivo para gestão de bens tombados –, reunindo mestres e lideranças da capoeira da cidade na Casa da Cultura.
Segundo o superintendente de Patrimônio Cultural de Betim, André Bueno, existe um cronograma de ações que precisam ser cumpridas para que o plano seja legitimado. “A revalidação é um processo de revisita às manifestações culturais. Vamos lançar um cadastro para atualizar dados e construir um dossiê técnico afirmando a existência dessa manifestação cultural, por que ela foi considerada patrimônio e porque continua viva”, explicou Bueno.
Sidney Cerqueira, o mestre Ventania da Associação Capoerê Nova Geração, marcou presença no evento e ressaltou a importância do reconhecimento. “Infelizmente, a capoeira ainda é muito discriminada no Brasil. Vi meu mestre, no passado, se entristecer com promessas políticas não cumpridas há cerca de 30 anos. Para a geração de mestres de hoje, é muito importante estarmos vivendo e vendo essa valorização aqui em Betim”, frisou Cerqueira.
Lorrane Silva é graduada aydê da Escola de Capoeira Resenha e também fez questão de acompanhar o lançamento do plano de revalidação. “Quando entrei na capoeira, tinha apenas 11 anos. Naquela época, tinha muito preconceito, e hoje em dia ainda tem. No entanto, de lá pra cá, muitas coisas mudaram: têm havido mais oportunidades e portas abertas para nós. A capoeira está tendo o seu lugar e sendo mais vista pelo público”, avaliou.
A capoeira foi oficialmente reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em 2014. Desde 2008, tem o reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).