Aline Fidelis, Renata Valentim e Ana Almeida são algumas das fãs do BTS em Betim. Elas colecionam itens em homenagem ao grupo e já se organizam para ir ao show em outubro
Foto: Brandon Santos
Aline Fidelis, Renata Valentim e Ana Almeida são algumas das fãs do BTS em Betim. Elas colecionam itens em homenagem ao grupo e já se organizam para ir ao show em outubro
Foto: Brandon Santos
Nas plataformas digitais, eles acumulam bilhões de visualizações e, após um hiato de três anos e cinco meses, estão de volta aos palcos, com o lançamento de um álbum novo, na madrugada desta sexta-feira (20), e shows no Brasil previstos para outubro, em São Paulo. Trata-se do grupo sul-coreano BTS, que arrebata uma legião de fãs em todo o mundo – carinhosamente nomeados de Armys.
A reportagem de O TEMPO Betim conversou com algumas fãs da cidade sobre a expectativa para o comeback, termo usado no meio do K-pop para o retorno de um grupo após uma pausa na carreira.
A servidora pública Renata Valentim, de 45 anos, moradora do Guanabara, é uma delas. Army desde 2019, Renata diz que conheceu o grupo em um período em que lutava contra a depressão e quando as músicas a ajudaram na recuperação.
“Essa relação com a banda faz muito bem, principalmente porque as músicas deles falam muito de amor próprio. A história deles é de muita superação, o que me inspira”, diz.
Da esquerda para a direita: Jimin, J-hope, Suga, V, Jung Kook, RM e Jin são os integrantes do BTS. Foto: BIG HIT Music / Divulgação
Renata conta estar ansiosa para ver os sete integrantes reunidos novamente e conhecer a mensagem do novo álbum, denominado ‘Arirang’.
“Estou com muitas expectativas, pois é a primeira vez, em muito tempo, que veremos os sete reunidos de novo”, destaca. A expectativa aumenta ainda mais porque o conceito do novo álbum remete à história e à cultura coreanas.
Como eles vão mesclar isso com a música pop é o que os fãs estão mais curiosos para saber, conforme salienta a assistente administrativa Ana Almeida, de 25 anos, moradora do Petrópolis. “Acredito que será um álbum que refletirá o que eles passaram nesse período de serviço militar, revisitando o passado, mas de uma forma mais madura”, diz ela, que tem uma coleção de itens do grupo e é fã desde 2023.
“O BTS deixa o nosso dia mais leve”, frisa. A jovem almeja ir ao show no fim do ano e espera conseguir comprar o ingresso: “Dizem que esgota rápido, mas vou tentar ao máximo”.
Um mito muito comum é que o estilo do K-pop é algo só de adolescentes. Mas os fãs do BTS refutam essa teoria. Para a bióloga Aline Fidelis, de 28 anos, o estilo é variado.
“Vejo o K-pop, no geral, com um público bem diverso em relação à idade, porque ele combina diversos estilos musicais, como pop, rock, eletrônico e R&B, entre outros. Além disso, envolve produções musicais, conceitos e narrativas que acabam atraindo pessoas de várias idades”, diz ela, que espera um trabalho conceitualmente rico no lançamento do novo álbum e tem se organizado financeiramente há mais de um ano para ir ao show.
Para Aline, o grupo desempenhou um papel importante em um momento pessoal. "Na época (que conheceu o BTS), eu estava muito focada no trabalho, na faculdade e nas obrigações do dia a dia. Eu, que sempre fui muito sonhadora, tinha esquecido de sonhar. Muitas vezes também esquecia de viver minha juventude — no sentido de descobrir meus talentos, meus limites, criar projetos e estudar além do conteúdo da universidade", acrescenta ela, dizendo que as mensagens passadas pelo grupo nas músicas a fizeram ter um novo ponto de vista na vida.
Já Renata Valentim conta que chegou a escutar muitas críticas por gostar de um grupo de K-pop. Porém, ela diz não se importar com nenhuma delas. “Gostei a vida inteira de boy groups e não vai ser agora que vou deixar de gostar. Nem vejo por que disso, já que é um hobby que me faz bem. Meu marido e meu filho respeitam e me apoiam muito também, e é o que importa”, completa.
O BTS é a sigla para Bangtan Sonyeondan (em coreano: 방탄소년단), que significa "Meninos à Prova de Balas", e é formado por RM, Jin, SUGA, J-Hope, Jimin, V e Jung Kook. Eles debutaram no mundo artístico em junho de 2013 e, desde então, romperam as barreiras geográficas e linguísticas, levando o K-pop para o mundo.
Foi o primeiro grupo coreano a ser indicado para um Grammy e o primeiro grupo asiático a ultrapassar 900 milhões de streams com seis de suas canções no Spotify.
O trabalho deles une música, rap, danças sincronizadas e performances elaboradas, mesclando letras em coreano e em inglês. Os integrantes se separaram temporariamente em 2022, quando iniciaram o cumprimento do serviço militar obrigatório na Coreia do Sul.
Desde o fim do ano passado, quando todos já haviam sido liberados das obrigações militares, têm trabalhado no novo álbum, “Arirang”. Além do lançamento oficial do álbum, uma live na Netflix neste sábado (21), às 8h (horário de Brasília), marcará o retorno dos sete juntos aos palcos.
Para além da música, o BTS também tem atuações sociais fortes. Um dos exemplos foi a participação na campanha Love Myself, em parceria com a Unicef, em 2021, que teve o objetivo de fazer os jovens a buscarem as melhores versões de si próprios.
Frequentemente, os integrantes também fazem doações para projetos assistenciais. Essas atitudes incentivam fãs a fazerem semelhante. A analista comercial Poliana Souza, de 40, administra uma página sobre o BTS no Instagram e, em cada aniversário dos membros, faz algo em homenagem.
Em setembro de 2025, por exemplo, mês em que o líder do BTS faz aniversário, o grupo de fãs organizou uma caminhada na pista da avenida Edmeia Mattos Lazzarotti, seguida de uma palestra com uma psicanalista sobre saúde mental, pegando o Setembro Amarelo como gancho. “Ao promover doações e participar de campanhas, eles nos incentivam a fazer a diferença onde estamos inseridos. Por isso fazemos essas ações, pois sabemos que é o que eles pregam também fora dos palcos”, diz Poliana.