
A Colônia Santa Isabel, marcada pela hanseníase, viveu um momento histórico neste domingo (29/3), com a assinatura do Termo de Execução Descentralizada (TED). Etapa integra a fase de estruturação do projeto Museu Vivo.
A solenidade, realizada no Centro de Memória da Hanseníase Luiz Verganin, contou com a presença da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Macaé Evaristo, que destacou a importância de investir em iniciativas como o projeto. “Aqui, onde foi a Colônia Santa Isabel, está sendo desenvolvido um projeto importante que é transformar todo esse bairro em um museu vivo, a céu aberto, que conte à sociedade a história das pessoas acometidas pela hanseníase e a violência que sofreram do Estado, porque foram segregadas e afastadas de suas famílias”, afirmou.
As ações locais do projeto serão coordenadas pelo município, em parceria com o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG). “Esse trabalho do instituto federal é importante, porque ele vai fazer uma pesquisa, vai sistematizar uma série de informações que vai dar base ao conteúdo que nos vamos ensinar com esse grande bairro, que vai se transformar em um museu a céu aberto”, acrescentou a ministra.
O secretário municipal de cultura, Thiago Flores, detalhou a aplicação dos recursos federais. “Esses R$ 240 mil chegam ao IFMG, que coloca docentes e alunos, em parceria com a secretaria que soma o corpo técnico já existente. Com esse recurso, começamos a fazer as pesquisas básicas para criar o roteiro turístico do Museu Vivo como um todo. Esse TED é o início desse processo de pesquisa complexo e demorada, mas a gente começa fazer de imóvel por imóvel”, explicou.
De acordo com a administração municipal, o TED viabilizará as etapas de formalização de convênios com os governos estadual e federal, além da elaboração de projetos em parceria com universidades, empresas e o terceiro setor. Isso permitirá a execução de novas ações nas fases seguintes de implantação do museu, ampliando seu alcance e consolidando o projeto no território.
Para o morador Benedito Carlos Cutrim Penha, o museu a céu aberto é “muito bom para as pessoas conhecerem o que é a hanseníase, o que foi para o ser humano no passado. É uma história que não pode ser apagada, ela tem de ser vivida o tempo todo, porque foi uma epóca muito difícil para todos nós”.
Inhana Olga Costa Souza, membro da coordenação nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), ressalta que a história da doença é frequentemente marcada pela invisibilidade. “Temos uma luta nacional de preservação da memória, para que histórias como essa não se repitam, e para honrar as pessoas que passaram por todo sofrimento, mas, sobretudo, aqueles que transformaram essa história em resistência, em luta, e transformaram a nossa comunidade em um lugar em que a gente tem muito orgulho de viver”, finaliza.
O projeto Museu Vivo da Colônia Santa Isabel propõe a transformação do território em um espaço de memória a céu aberto, voltado à preservação e à valorização do patrimônio histórico, cultural e social da região por meio de ações de pesquisa, educação patrimonial, valorização de espaços históricos, desenvolvimento de projetos estruturantes e articulação de parcerias institucionais.
O projeto também prevê a captação de recursos e a implementação de intervenções ao longo das etapas de implantação, com o objetivo de consolidar a Colônia Santa Isabel como referência em memória, educação e direitos humanos, ampliando o acesso às narrativas históricas da comunidade.
O Centro de Memória da Hanseníase Luiz Verganin foi criado em 2017, na gestão do então prefeito Vittorio Medioli. Em novembro de 2025, o espaço foi elevado a Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), criando condições reais para que o espaço avance em pesquisa, preservação patrimonial, projetos culturais e ações tecnológicas que dialoguem com sua história singular.