PATRIMÔNIO

Projeto que vai restaurar estação ferroviária e criar espaço de memórias é apresentado em Betim

Iniciativa une recuperação do prédio, contrapartida da Santos Construtora, e criação de acervo ferroviário patrocinado pela VLI por meio da Lei Rouanet

Por Marcio Antunes

Publicado em 17 de junho de 2026 | 19:24

 
 
Projeto prevê a recuperação do prédio e a criação de espaço de memórias sobre a história ferroviária de Betim Projeto prevê a recuperação do prédio e a criação de espaço de memórias sobre a história ferroviária de Betim Foto: Carolina Miranda

A proposta de restauração da antiga estação ferroviária de Betim e de criação de um espaço permanente dedicado à preservação da memória ferroviária da cidade foi apresentada oficialmente à comunidade nesta quarta-feira (17), durante o Café com Prosa realizado na Casa da Cultura Josephina Bento.

O encontro marcou o lançamento do projeto Estação de Memórias no município e reuniu moradores, representantes da Prefeitura de Betim, da VLI, da Agência de Iniciativas Cidadãs (AIC) e pessoas interessadas em contribuir com relatos, documentos e objetos ligados à história da ferrovia na cidade.

A iniciativa será desenvolvida em duas frentes. A primeira prevê a restauração da estação ferroviária, que será executada pela Santos Construtora como contrapartida urbanística relacionada ao empreendimento que a empresa irá construir em frente ao imóvel histórico, composto por uma torre residencial e outra comercial. Já a segunda consiste na implantação do Espaço de Memórias, viabilizado por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da VLI, empresa controladora da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA).

A proposta é transformar a antiga estação em um espaço cultural permanente, reunindo documentos, fotografias, objetos e depoimentos capazes de contar como a ferrovia influenciou o desenvolvimento de Betim ao longo das décadas.

Responsável pela coordenação técnica do projeto, a museóloga Raphaela Damato explicou que o Estação de Memórias já passou por diversas cidades brasileiras e tem como foco a preservação da história ferroviária por meio da participação da comunidade. “A ideia é fazer uma pesquisa historiográfica, mas também trabalhar conjuntamente com as histórias e as memórias orais das pessoas da cidade. A partir de entrevistas e reuniões coletivas, transformamos essas informações em um espaço de memória”, afirmou.

Segundo a analista de responsabilidade social da VLI, Elizabeth Pimenta, a participação dos moradores será fundamental para a construção do acervo. “Nós vamos realizar vários eventos com a população para que as pessoas tragam objetos, fotografias e contem suas histórias. Queremos preservar essas memórias para que elas não se percam e deixem um legado para as próximas gerações”, disse.

Para o consultor ambiental da Santos Construtora, Leonardo Mateus Lopes, a recuperação da estação ferroviária representa um compromisso com a preservação da história da cidade em meio às transformações urbanas que Betim vem vivenciando. Segundo ele, as duas torres que serão construídas em frente ao imóvel histórico — empreendimento que figura entre os maiores projetos imobiliários do Estado — foram planejadas levando em consideração a necessidade de integração com o patrimônio cultural existente. “Desde os estudos iniciais, identificamos a importância da estação ferroviária para a história de Betim. O objetivo é que as novas edificações dialoguem com esse patrimônio, criando uma harmonia entre a cidade contemporânea e a Betim do início do século passado. A restauração da estação é uma das contrapartidas do empreendimento e reforça nosso compromisso de preservar a memória e valorizar o entorno”, afirmou.

O trabalho será desenvolvido ao longo de cerca de 12 meses. Durante esse período, a equipe da AIC realizará pesquîsas, entrevistas, oficinas e encontros comunitários para reunir materiais e relatos relacionados à ferrovia e à formação histórica da cidade.

O secretário municipal de Cultura, Thiago Flores, destacou que o projeto permitirá aproximar diferentes gerações da história de Betim. “É um projeto importante porque mexe com a memória da cidade e cria a oportunidade para que as novas gerações conheçam uma Betim que muitos cidadãos de hoje já não conhecem”, afirmou.

Entre os participantes do encontro estava o morador Hélio Dutra, que ressaltou a importância da preservação da memória ferroviária. Segundo ele, a história da ferrovia está diretamente ligada ao desenvolvimento do município. “A rede ferroviária faz parte da história de Betim. Para nós da Colônia Santa Isabel, por exemplo, ela tem um significado especial, porque os pacientes eram transportados nos vagões sanitários. Resgatar essa memória é preservar uma parte importante da história da cidade.”  

Criado em 2022, o programa Estação de Memórias já foi implantado em 18 municípios de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Em Betim, o material reunido ao longo das atividades dará origem a uma exposição permanente com visitação gratuita, instalada na antiga estação ferroviária após a conclusão das obras de restauração.

Moradores podem contribuir 

A participação da comunidade será uma das principais etapas do projeto Estação de Memórias. Moradores que possuam fotografias, documentos, objetos ou histórias relacionadas à ferrovia em Betim poderão colaborar com a construção do futuro acervo.

Os interessados já podem entrar em contato pelo e-mail estacaodememorias@aic.org.br, encaminhando informações, registros históricos ou manifestando interesse em participar das atividades do projeto.

Ao longo dos próximos meses, a organização também promoverá reuniões coletivas, entrevistas e oficinas abertas à população. A expectativa é reunir diferentes memórias sobre a presença da ferrovia na cidade, desde relatos de antigos ferroviários até histórias de famílias que tiveram suas trajetórias marcadas pela passagem dos trens.